Entrevista com Fernando Lemos
Conselho Monetário Nacional prorroga prazo para renegociação de dívidas de produtores rurais
Rio Grande Record|Do R7
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Uma notícia de última hora, dada ao vivo, no Rio Grande Record, transmitido ao vivo da Expointer, na sexta-feira (04), tirou um peso das costas dos produtores rurais gaúchos na reta final da Expointer. Confira na entrevista com Fernando Lemos, presidente do Banrisul.
Havia grande apreensão entre os agricultores, em relação a um pedido de prorrogação do prazo para a renegociação de dívidas, prevista em medida provisória editada em Brasília. Após apelos e reuniões, saiu a decisão: o Conselho Monetário Nacional prorrogou o prazo.
A confirmação foi dada ao Rio Grande Record pelo presidente do Banrisul, Fernando Lemos, direto da Casa do Agro, do banco gaúcho, na Expointer.
Prazo estava travado
"Efetivamente, já chegou agora a resolução do Conselho Monetário Nacional que faltava para a gente poder enquadrar os produtores na medida provisória para poder fazer a equalização das suas dívidas. Saiu agora à noite, prorrogando o prazo, aquele que estava impedindo e deixando os produtores inadimplentes", explicou Lemos. "Agora, até o dia de hoje, quem estiver inadimplente é possível fazer a renegociação."
Segundo o presidente do Banrisul, a demora gerava um entrave direto para as instituições financeiras. "A gente vinha há dias já alertando Brasília e o Banco Central, o Conselho Monetário Nacional, as autoridades em Brasília, que era necessário fazer isso para os bancos poderem implementar as medidas e os produtores poderem ter acesso", afirmou. "Me sinto bastante aliviado, porque agora a gente pode, a partir de terça-feira, poder fazer o enquadramento e atender aos nossos produtores."
Lemos reforçou que produtores clientes do Banrisul - e de outras instituições - devem procurar seus bancos para regularizar a situação. No caso do Banrisul, não é necessário nenhum pagamento imediato: apenas a adesão à renegociação. Segundo o presidente, mais de R$ 4 bilhões em dívidas estão aptos à renegociação, no banco, mas até agora apenas cerca de R$ 600 milhões haviam sido enquadrados, já que o restante ficara impedido pela falta da resolução.
Urgência por causa do prazo da MP
Lemos alertou que a medida provisória tem prazo de validade e pode caducar se não for votada a tempo, o que reforça a urgência da regularização. "Nós temos a oportunidade de ter uma grande safra, com um bom preço, e começar a resolver as questões do campo gaúcho", disse, citando a alta recente dos preços da soja, do milho e do arroz.
Expointer "tensa" até a resolução
Questionado sobre o clima da feira, Lemos reconheceu que a Expointer 2026 foi marcada pela tensão em torno do impasse das dívidas. "Ela é uma Expointer bastante tensa em relação a esse assunto, mas positivamente agora que a gente tem uma saída", afirmou. Segundo ele, muitos produtores optaram por aguardar a definição do cenário de crédito antes de fechar novos investimentos em máquinas, o que deve mudar a partir de uma boa safra de verão.
Sobre as condições climáticas para o plantio, Lemos se disse otimista, mas fez um alerta específico: "Onde é área de arroz que a gente plantava soja - muitos produtores que plantavam soja ali na época que o arroz estava muito baixo -, este ano não plante soja em área de arroz, porque realmente vai ter problema. Agora, nas áreas tradicionais de soja, nós temos que ter urgência só para achar a janela de plantar."
Reconhecimento à agricultura familiar
Lemos também destacou a visita do banco ao Pavilhão da Agricultura Familiar na feira. "Este ano o mote da nossa comunicação foi para reconhecer o valor da agricultura familiar, o quanto eles são importantes, não apenas na produção, mas sobretudo no que eles demonstram para o Rio Grande do Sul na produção de alimentos", disse. "A nossa carteira do agro é muito relacionada à agricultura familiar, e nós estamos muito felizes de ter feito essa possibilidade de usar a nossa comunicação mostrando os valores da nossa gente",complementou















