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“Iríamos mudar a cara do funk, mas não deu tempo”, diz irmão de MC Daleste

Rodrigo Pellegrine revela que irmãos funkeiros viam um futuro promissor pela frente

São Paulo|Thiago de Araújo, do R7

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MC Pet e MC Daleste acreditavam que poderiam revolucionar o funk brasileiro com uma nova abordagem
MC Pet e MC Daleste acreditavam que poderiam revolucionar o funk brasileiro com uma nova abordagem

Rodrigo Pellegrine, o MC Pet, ainda tenta superar a ausência do irmão, o funkeiro Daniel Pellegrine, o MC Daleste, morto há mais de 43 dias durante um show em Campinas, no interior de São Paulo. As dificuldades emocionais e financeiras só não são maiores do que a frustração em ver os planos dos dois em revolucionar o funk. Pelo menos esse era o plano, conforme revelou MC Pet ao R7.

Parte desse material tido como “revolucionário” por Rodrigo foi gravado com Daleste ainda em vida. Segundo ele, o MC assassinado escrevia “pelo menos seis músicas por dia” de tão criativo que era. Um pouco desse produto final deve ser lançado nas próximas semanas, uma vez que o funkeiro morto deixou mais de 40 canções prontas para serem lançadas.


— Eu e o meu irmão iriamos mudar a cara do funk. Nós iriamos revolucionar, seria algo nesse fim de ano agora, mas infelizmente não deu tempo. A gente fez umas canções, pra mudar em São Paulo e em todo o Brasil. Como conseguimos mudar no começo, com aquela apologia ao sexo, esses negócios, não ia fazer nada de ostentação, entendeu? Íamos fazer uma renovação, porque querendo ou não o público já está cansando, enjoando de um certo ritmo.

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MC Pet contou que as primeiras novidades estavam prontas para serem apresentadas pouco antes da morte de Daleste, na madrugada do dia 7 de julho, em uma apresentação em uma quermesse de Campinas. O perfil das novas composições ia em direção contrária ao perfil já conhecido na cena funkeira paulista e nacional.


— É uma coisa puxada com MPB junto, é um negócio muito louco. A gente estava bolando, inclusive ele chegou a gravar essas músicas tudo junto. A gente ia estar mudando, íamos acostumar o público devagar, para o pessoal que a gente é radical demais. As canções novas são muito boas de verdade, uma mistura do funk com MPB. Eu estou aí. Eu não vou parar nunca com o funk, vou renovar o ritmo. Quero colocar uma coisa que ele ainda não tem, diferenciado, porque está muito igual todo mundo.

Por enquanto, o irmão de Daleste foca suas atenções diárias à música, já que a polícia até agora não chegou ao autor do disparo que matou o funkeiro. A prorrogação das investigações para a conclusão do inquérito, prevista para o início de setembro, ainda não trouxe o desfecho que a família esperava. Causou irritação aos parentes dos dois funkeiros a versão de crime passional, enquanto outra possibilidade, de envolvimento de policiais, foi descartada.


Para MC Pet, é preciso continuar de onde o seu irmão parou. A preocupação com possíveis polêmicas até existe, mas está longe de representar uma “censura prévia” do próprio funkeiro ao seu material. A tese do envolvimento de policiais surgiu justamente por uma canção na qual Daleste falava da violência e da ação de PMs na periferia. Para Rodrigo, é importante falar a verdade.

— Se tiver uma letra polêmica, a gente está falando a verdade. Pode ficar com maus olhos perante o governo e outras pessoas, mas quem sofre acaba gostando da música porque é a verdade. A pessoa que não vive aquilo (que diz as letras) vai dizer que é besteira, mas as demais se identificam com a música, elas veem que é verdade aquilo que está acontecendo com o Brasil.

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