Análise: Brasil avança na vacinação, mas desafio é garantir as doses de reforço
Relatório da OMS e do Unicef mostra aumento global no abandono do esquema vacinal, enquanto o Brasil registra melhora na cobertura
Saúde|Do R7, com RECORD NEWS
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Cresceu o número de crianças que deixaram de seguir o esquema de vacinas. A taxa aumentou de 4% para 12% entre 2024 e 2025. De acordo com o novo relatório da OMS (Organização Mundial da Saúde) e do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), que foi divulgado nesta quarta-feira (15), a taxa de abandono entre a primeira e a terceira doses de vacinas contra a tríplice bacteriana (difteria, tétano e coqueluche) é alarmante. Em geral, a cobertura vacinal desse imunizante caiu de 90% para 86%.
O Brasil é um destaque positivo nesse levantamento, tendo o segundo maior aumento mundial na cobertura da primeira dose da vacina contra a tríplice bacteriana, com alta de 19 pontos percentuais. Entre 2024 e 2025, o Brasil registrou uma diminuição do número de crianças classificadas com “dose zero”, ou seja, aquelas que não receberam nenhuma vacina. O país é um dos que mais vacinaram contra o HPV, com a cobertura da dose de reforço entre meninas de 86% em 2025, uma das mais altas das Américas.
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Segundo Luciana Phebo, chefe da área de Saúde e Nutrição do Unicef, a melhora dos indicadores brasileiros é resultado de um esforço conjunto do Ministério da Saúde, das secretarias estaduais e municipais, das escolas e do SUS (Sistema Único de Saúde). Ela destaca que, além de aplicar as vacinas, é fundamental registrar corretamente as doses administradas.
Para a especialista, o avanço dos sistemas públicos de informação em saúde também contribuiu para o resultado. “Não adianta só chegar no braço [as vacinas] se a vigilância não conseguir computar todas as doses dadas no Brasil”, ressaltou. Segundo ela, dados mais completos permitem monitorar melhor a cobertura vacinal e identificar lacunas na imunização infantil.
Apesar dos avanços, Phebo alerta que o país precisa manter atenção às doses de reforço. Muitas vacinas exigem esquemas com duas ou mais aplicações, mas a adesão tende a cair ao longo do processo. Ela defende ainda a ampliação da vacinação nas instituições de ensino “para se garantir que as segundas e terceiras doses possam ser dadas com acesso universal”.
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