‘Já tive paciente de 22 anos’, alerta médico sobre aumento de casos de câncer de mama
Oncologista mostra como um diagnóstico precoce pode salvar vidas e poupar custos em um país que sofre com a desigualdade social
Saúde|Do R7, com RECORD NEWS
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Cerca de 78 mil casos anuais de câncer de mama devem ocorrer no Brasil até 2028, de acordo com o Inca (Instituto Nacional de Câncer). Já uma projeção da OMS (Organização Mundial da Saúde) afirma que, até 2050, o número de vítimas deve aumentar em até 40% nos países de baixa e média renda. Em pleno século 21, um paradoxo: a ciência avança e o número de diagnósticos, também.

O paralelo intriga o oncologista clínico e especialista no assunto, Pedro Moraes, que enxerga a discrepância social como um fator determinante para o resultado: “O Brasil é um país absolutamente plural, em que a gente tem alguns centros com tudo à disposição [...] e outros lugares em que a gente não tem nada, porque a distribuição é desigual e o acesso é ainda mais desigual”.
Sobre o Brasil, Moraes aponta que o rastreio atualmente é insuficiente, abrangendo de 30% a 40% da população, enquanto em países desenvolvidos essa taxa chega a 80%. “A gente vê que países como a Suíça estão desacelerando o rastreio porque o tratamento evoluiu tanto que a gente aumentou muito a chance de cura, fazendo com que valha a pena investir mais no tratamento nesse momento do que no rastreio”. Por aqui, ainda não é essa a realidade, e priorizar o diagnóstico precoce também traz ganhos econômicos. No Link News desta terça-feira (4), Moraes citou um exemplo prático.
“Um tumor [...] de 2,5 cm com axila negativa: o tratamento mais preconizado hoje são duas quimioterapias com dois anticorpos. No total de um ano, eu chego a gastar quase R$ 1 milhão. A mesma mulher, com um tumor desse de 1,5 cm, eu tenho uma chance maior de cura com um custo [...] aproximado de R$ 400 mil. [...] Em um cenário público [...] essa economia chega a ser ainda maior”, afirmou o médico.
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Por conta disso, Moraes aconselha que mulheres de 40 anos ou mais façam exames de rastreamento, mas faz um alerta para uma tendência preocupante: “A gente está piorando a nossa qualidade de vida, fazendo com que o câncer de mama apareça também em idades mais precoces. [...] Já tive paciente de 22 anos, que era uma coisa há alguns anos não pensável”.
Largar hábitos danosos, como o tabagismo e o sedentarismo, não é a única medida necessária para se prevenir. O oncologista lembra que acompanhar a evolução do quadro, mesmo após o fim do tratamento, é de igual importância. “O tumor passado pode estar resolvido, mas ela [a paciente] ainda pode ter outros tumores na mesma mama ou na outra mama. [...] Eu já vi voltar depois de 20, 25 anos do tratamento do primário, então você vê que a definição de cura não é tão simples”, concluiu Moraes.
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