Câncer: ‘A gente deve evitar glamourizar hábitos que não são saudáveis’, diz oncologista
Presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica repercute estudo que mostra desconhecimento da população sobre fatores de risco da doença
Saúde|Do R7, com RECORD NEWS
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Um em cada quatro brasileiros não sabe que o câncer pode ser prevenido com mudanças no estilo de vida. Além disso, cerca de metade da população não tem consciência de que o sedentarismo é um fator de risco para o desenvolvimento desta doença.
Os dados divulgados nesta quarta-feira (3), levantados pelo estudo “Mais Dados, Mais Saúde - Percepções da População Brasileira sobre Fatores de Risco para o Câncer”, revelaram que, enquanto grande parte da sociedade vê o tabagismo e a exposição solar como elementos que facilitam a aquisição da doença, o consumo de bebidas alcoólicas, carne vermelha, alimentos embutidos e ultraprocessados dificilmente é associado.
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Durante o Link News, a presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Clarissa Baldotto, explicou que, apesar de se viver um momento de tanta informação disponível, os especialistas ainda se deparam com esse dado de que os brasileiros desconhecem os principais fatores de risco para as formas mais comuns de câncer. Segundo Clarissa, esse fator só evidencia que “as informações precisam ser trabalhadas”.
“Se a gente for reparar, muitos desses fatores de risco estão ligados a comportamentos sociais nossos, por isso a dificuldade de combater [...] O marketing positivo pode ajudar para que a pessoa entenda a qual risco ela está exposta, para que ela possa fazer escolhas inteligentes [...] A gente precisa trabalhar isso de uma forma mais intensa”, ressaltou a especialista. Ele defendeu ainda que a sociedade pare de glamourizar hábitos que não são saudáveis.
Clarissa Baldotto argumentou também que o sedentarismo tem um papel fundamental que colabora para uma facilidade da doença ser introduzida em um organismo. De acordo com ela, os tumores mais comuns hoje, como os de intestino, de mama em mulheres, de próstata em homens, são cânceres frequentemente associados a um estilo de vida desleixado quanto aos cuidados, que leva a um desequilíbrio metabólico.
“Gera uma inflamação crônica no nosso corpo, que faz com que as células fiquem mais sujeitas a sofrerem mutações e alterações no DNA, mutações genéticas, que são esses defeitos que vão gerar em última análise os tumores. Esse risco vai aumentando com a idade”, apontou.
Além disso, a presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica ainda falou sobre um novo medicamento que pode transformar o tratamento para o câncer de pâncreas: “É uma terapia nova, é uma droga que consegue bloquear uma mutação genética que acontece em 90% dos pacientes com câncer de pâncreas. Então foi como se fosse uma esperança para nós, médicos, de que persistir nas pesquisas e na ciência vale a pena”, afirmou.
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