Colágeno não nasce no pote: alimentação é essencial para manter a produção da proteína
Especialista explica que hábitos saudáveis e uma dieta equilibrada são fundamentais para preservar o colágeno e retardar os sinais do envelhecimento
Quem já passou dos 40 provavelmente conhece bem essa sensação: a pele parece não ter a mesma firmeza de antes e, de repente, o colágeno vira assunto em toda conversa sobre envelhecimento saudável. Eu também já me fiz a pergunta que muita gente faz: vale a pena investir em suplementos ou existe outra forma de cuidar da produção dessa proteína? A resposta passa pela alimentação, pelo estilo de vida e por alguns hábitos que fazem muito mais diferença do que imaginamos.

A redução da produção de colágeno se inicia por volta dos 20 anos e se torna mais intensa entre os 25 e 30 anos. “Em média, a produção diminui cerca de 1% ao ano nessa fase. Os sinais costumam ficar mais perceptíveis entre os 35 e 40 anos, quando a pele começa a perder firmeza e elasticidade”, explica a nutricionista e esteticista especialista em saúde da pele, Sheila Mustafá.
Nas mulheres, a menopausa representa um período de maior impacto. A queda dos níveis de estrogênio pode levar à perda de até 30% do colágeno da pele nos primeiros cinco anos após essa fase.
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Alimentação faz diferença na produção de colágeno
Embora os suplementos de colágeno tenham ganhado espaço nas prateleiras e nas redes sociais, a especialista destaca que o organismo não produz essa proteína apenas porque ela foi ingerida.
“O corpo precisa de nutrientes específicos para conseguir formar e estabilizar o colágeno. Sem esse suporte metabólico, a síntese pode ser comprometida”, afirma Sheila.
Entre os principais aliados da produção natural estão as proteínas, que fornecem aminoácidos como glicina, prolina e lisina. Carnes, peixes, ovos, feijão e lentilha são boas fontes desses compostos.
Além disso, vitaminas e minerais desempenham funções importantes nesse processo. A vitamina C, encontrada em frutas como acerola, kiwi e goiaba, participa diretamente da formação das fibras de colágeno. Já zinco, cobre, ferro e silício auxiliam nas reações metabólicas responsáveis pela manutenção dos tecidos.
Açúcar acelera a degradação da proteína
Outro fator que merece atenção é o consumo excessivo de açúcar. De acordo com Sheila, ele favorece um processo chamado glicação, que ocorre quando moléculas de açúcar se ligam às proteínas do organismo.
Esse mecanismo leva à formação dos chamados AGEs (produtos finais de glicação avançada), que tornam as fibras de colágeno mais rígidas e frágeis, acelerando o envelhecimento da pele.
“Além do açúcar, alimentos ultraprocessados e preparações muito tostadas ou grelhadas também favorecem esse processo, aumentando a inflamação e o estresse oxidativo”, explica.
Por outro lado, frutas, verduras, legumes, sementes e oleaginosas fornecem antioxidantes que ajudam a proteger as células contra esses danos.
Suplementação pode ajudar, mas não faz milagres
Estudos científicos indicam que o colágeno hidrolisado pode contribuir para melhorar a hidratação, a elasticidade e a densidade da pele, especialmente após quatro a seis meses de uso. Os benefícios costumam ser mais evidentes em pessoas acima dos 35 anos, mulheres na menopausa ou indivíduos com baixa ingestão de proteínas e maior exposição aos fatores que aceleram o envelhecimento.
Mesmo assim, Sheila reforça que o suplemento não substitui uma alimentação equilibrada: “Um dos erros mais comuns é acreditar que tomar colágeno sozinho resolve o problema. Para que ele tenha efeito, o organismo precisa de proteínas, vitaminas, minerais e antioxidantes suficientes para utilizá-lo adequadamente”, destaca a especialista.
Hábitos que ajudam a preservar o colágeno
Além da alimentação, alguns cuidados diários fazem diferença na preservação da proteína. A especialista recomenda:
- usar protetor solar diariamente;
- manter uma alimentação rica em proteínas, frutas, verduras e legumes;
- evitar o tabagismo;
- reduzir o consumo de açúcar e alimentos ultraprocessados;
- dormir bem;
- controlar o estresse;
- praticar atividade física regularmente.

“Quando falamos em colágeno, não estamos tratando apenas da aparência da pele. Essa proteína é fundamental para o funcionamento de diversos tecidos do organismo. Alimentação equilibrada, proteção solar e um estilo de vida saudável continuam sendo as estratégias mais eficazes para preservar sua produção ao longo dos anos”, conclui a especialista.
No fim das contas, cuidar do colágeno não tem a ver com uma solução rápida ou com um único suplemento milagroso. É mais sobre escolhas diárias: o que colocamos no prato, como lidamos com o estresse, a qualidade do nosso sono e até a forma como protegemos a pele do sol.
Depois dessa conversa com a especialista, fica mais claro que o envelhecimento faz parte da vida, mas a forma como a gente atravessa esse processo pode ser muito mais leve quando há informação e consciência.
E talvez essa seja a melhor parte: perceber que, mesmo depois dos 40, ainda dá tempo de ajustar o caminho.
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