Cremesp critica postura de clubes: "Alguns pressionam pela liberação de atletas sem condições"
Para vice de entidade, escalar jogador contundido é prática temerária e pode ser denunciada
Saúde|Eugenio Goussinsky, do R7

O Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) se mostrou contrário às afirmações do médico do Palmeiras, Rubens Sampaio, que citou diretrizes do American College of Sports Medicine (Colégio Americano de Medicina do Esporte) para definir pela participação no jogo de um atleta que não esteja plenamente recuperado.
Segundo o vice-presidente da entidade, Lavínio Nilton Camarim, apesar de ter um preparo melhor do que um paciente dito convencional, o atleta também precisa de avaliações períodicas e orientações para não ultrapassar o limite de seu potencial físico.
— O Cremesp considera que, se existir uma doença, uma contusão, uma agressão [ao corpo], a partir do momento em que houve atendimento do médico, o jogador é um paciente. O que (o médico) deve mais prezar é a vida, amenizar qualquer tipo de comprometimento que essa doença possa trazer. A partir desse momento ele é um jogador como poderia ser um industrial ou empresário. Em primeiro lugar na visão médica está a preservação da vida e evitar atos que possam agravar qualquer problema de saúde.
Camarim, que coordena a Câmara Técnica de Medicina do Esporte da entidade, revela que a pressão de clubes sobre os médicos, para que eles liberem jogadores mesmo sem estarem em plenas condições, é comum.
— Pressão...Olha, nós já ouvimos falar que já existe sim, não queria citar clubes, mas temos ciência de alguns clubes que pressionam médicos para liberar atletas que por ventura não estejam em condições físicas. O Cremesp orienta para que o médico não ceda a essas pressões porque ele pode responder ética, criminal e civilmente por isso.
O dirigente também afirmou que a entidade irá avaliar as diretrizes do American College of Sports Medicine e colocar a sua posição a respeito de condutas colocadas pela entidade, mas levando em conta a legislação da medicina no Brasil.
— Vou dar um exemplo: se eu falar de publicidade médica, no Brasil, pelo nosso código não podemos fazer 10% do que os americanos fazem lá: eles podem vender produto, às vezes quebrar sigilo de pacientes, aqui não podemos. Estou colocando isso para ter uma opinião ética sobre essa prática do guia americano. Pode ser um guia altamente prático, mas pode ter alguns vieses que deixam o médico desassistido e desarmado dentro de uma demanda ética. Vamos orientar e dizer que, se for o caso, isso não encaixa ao que preconiza a ética médica brasileira.
Alimentação correta evita lesões musculares
Sobre a escalação do atacante Dudu em jogo do Palmeiras, mesmo ainda em recuperação, Camarim criticou a opção de Sampaio. Ele lembrou que Sampaio é um dos participantes da Câmara, ao lado de médicos de clubes como Corinthians, Santos, São Paulo, Ponte Preta e do esporte em geral, que se reúnem frequentemente no Cremesp para avaliar as práticas do setor.
— Ele está colocando a saúde do atleta em segundo plano (em relação a Dudu). Para os médicos a recomendação é que a saúde do atleta esteja em primeiro lugar, e não o time. É claro, o time tem seu contrato, mas o médico é sempre orientado para não ceder a pressões de clube, de diretoria, até porque, se acontecer alguma coisa com o jogador e chegar uma denúncia aqui na casa, o conselho vai instaurar sindicância para averiguar essa denúncia...Foi uma prática temerária.
Conheça o R7 Play e assista a todos os programas da Record na íntegra!














