Saúde Dislexia pode ser tratada com método não invasivo, sugere estudo

Dislexia pode ser tratada com método não invasivo, sugere estudo

Voluntários disléxicos apresentaram melhoras com estimulação transcraniana de corrente alterada; condição afeta 10% da população mundial

  • Saúde | Do R7

A dislexia causa dificuldade de leitura relacionada à conexão entre sons e letras

A dislexia causa dificuldade de leitura relacionada à conexão entre sons e letras

Pixabay

A dislexia é um distúrbio de aprendizado que pode provocar erros de ortografia e dificuldade de leitura, de acordo com o Ministério da Saúde. Ocorre quando o cérebro tem dificuldade em fazer a conexão entre sons e símbolos, como letras. O problema afeta até 10% da população mundial, segundo a Associação Internacional de Dislexia (IDA).

Cerca de 3 milhões de casos são relatados por ano. A causa ainda não foi totalmente definida, também não há cura, entretanto, pesquisadores da Universidade de Genebra, na Suíça, sugerem um possível tratamento em um estudo publicado na terça-feira (8) na revista científica PLOS Biology.

A pesquisa foi realizada com 30 voluntários entre 18 e 47 anos de idade. Metade dos participantes tinha dislexia e a outra era composta por leitores fluentes. Eles foram monitorados durante quatro dias.

No primeiro, passaram por avaliações de linguagem e desempenho cognitivo. Nos demais, receberam estimulação transcraniana de corrente alternada (tACS, na sigla em inglês) com oscilações de 30 Hz e 60 Hz.

Quando 30 Hz foi aplicado, os voluntários disléxicos tiveram melhora no processamento fonológico e na precisão de leitura imediatamente após a estimulação, de acordo com a pesquisa.

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No entanto, as habilidades de leitura de quem estava no grupo de controle foram ligeiramente prejudicadas por essas oscilações. Os pesquisadores especulam que leitores rápidos podem ter desenvolvido estratégias que ignoram o processamento fonológico.

Já as oscilações de 60 Hz não causaram nenhuma melhora. A partir desse resultado, os pesquisadores acreditam que a dislexia está associada a alterações na atividade oscilatória de gama baixa (30 Hz) no cérebro. O trabalho desenvolvido na pesquisa pode levar a intervenções terapêuticas não invasivas para tratar o distúrbio de aprendizagem, de acordo com eles.

"Os próximos passos são investigar se a normalização da função oscilatória em crianças muito pequenas poderia ter um efeito duradouro na organização do sistema de leitura, mas também explorar meios ainda menos invasivos de corrigir a atividade oscilatória, por exemplo, usando o treinamento de neurofeedback", afirma Silvia Marchesotti, do Departamento de Neurociências da Universidade de Genebra e uma das autoras do estudo, em entrevista ao portal Big Think.

Uma sessão de tCAS dura horas ou até dias, mas não garante uma mudança de longo prazo, o que poderia ser resolvido com várias sessões, dizem os pesquisadores. Eles também apontam que o tACS melhorou a precisão da leitura, mas não a velocidade com que ela é feita.

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