‘A juventude não se vê refletida em uma UBS’, afirma chefe de saúde da Unicef no Brasil
Novo projeto da organização visa capacitar profissionais no atendimento a jovens e fornecer escuta ativa aos adolescentes
Saúde|Do R7, com RECORD NEWS
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Manaus, Recife e Rio de Janeiro tornaram-se as primeiras cidades do Brasil a receber a iniciativa UAA (Unidades Amigas das Adolescências), desenvolvida pela Unicef com o objetivo de ampliar o acesso e a qualificação dos cuidados do SUS (Sistema Único de Saúde) direcionados aos jovens entre 10 e 19 anos.
A diversidade na população, a vulnerabilidade dos adolescentes e o potencial de melhora presente nos estados escolhidos foram as características que motivaram a instalação do projeto, que estabelecerá uma comunicação ativa com as Secretarias Municipais de Saúde e com o próprio Ministério da Saúde, afirma a chefe de saúde da Unicef no Brasil, Luciana Phebo.

“É uma inovação que, para dar certo, tem que chamar muitas pessoas, organizações e instituições para que, de fato, o adolescente tenha a saúde e o bem-estar garantidos”, declarou em entrevista exclusiva ao Link News desta sexta-feira (26). A organizadora detalhou que a lógica da iniciativa é semelhante à do Hospital Amigo da Criança, em que as unidades recebem certificações oficiais ao atingirem metas.
Os objetivos focados pelo projeto envolvem a capacitação profissional da equipe, a participação dos adolescentes, o monitoramento de tendências, a participação ativa das famílias e a intersetorialidade. “O que é esse nome complicado? Não é só a unidade básica de saúde que cuida dos adolescentes. A escola e toda a comunidade têm que estar envolvidas”.
Em geral, o projeto UAA visa aumentar o acolhimento fornecido pelas UBS (Unidades Básicas de Saúde) aos jovens, para tratar de assuntos que vão além de problemas pontuais, como a saúde mental, a boa alimentação e educação sexual. “A juventude não se vê refletida em uma unidade de saúde”, alega Luciana, que defende a escuta ativa como elemento chave para preencher esta lacuna.
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“É muito comum julgar adolescentes. Imagine: chega uma menina grávida. O quanto de julgamento se passa quando se depara com uma menina de 15 ou 16 anos grávida? Ter esse espaço [...] em que não se tem respostas antes de se colocar as perguntas [...] é importante”, conclui a líder.
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