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Evitar estas três coisas na meia-idade pode atrasar em até 13 anos o risco de demência

Adotar uma alimentação saudável, praticar exercícios e parar de fumar são medidas recomendadas

Saúde|Kristen Rogers, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Evitar diabetes tipo 2, tabagismo e pressão alta pode atrasar em até 13 anos o risco de demência.
  • Estudo analisou mais de 12.400 adultos e mostrou que esses fatores de risco dobram as chances de demência e aumentam a mortalidade precoce.
  • Controlar esses fatores envolve mudanças no estilo de vida, como alimentação saudável e prática de exercícios.
  • Participantes com hábitos saudáveis tiveram uma expectativa de vida livre de demência significativamente maior.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Saúde cerebral é influenciada por decisões contínuas e hábitos saudáveis ao longo do tempo Pexels/Moe Magners

Evitar três fatores de risco para a saúde pode atrasar em cerca de 13 anos as chances de desenvolver demência, de acordo com um novo estudo: diabetes tipo 2, tabagismo e pressão alta.

Pesquisas científicas já estabeleceram há tempos que estes três fatores de risco estão entre os mais importantes para a demência e que o desenvolvimento da doença neurodegenerativa começa muito antes dos sintomas aparecerem, de acordo com o Dr. Josef Coresh, autor principal do estudo publicado esta quarta-feira (4) na revista Neurology Open Access.


No entanto, o novo estudo de Coresh, que analisou mais de 12.400 adultos, quantificou o quanto a combinação destes fatores vasculares durante a meia-idade pôde influenciar no momento em que a demência começou a se desenvolver.

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Os participantes que apresentavam estes três fatores de risco, quando tinham, em média, cerca de 56 anos, tinham mais do que o dobro de chances de desenvolver demência e mais de cinco vezes mais chances de morrer prematuramente por outra causa.


“É algo relativamente fácil de explicar para os médicos e de entender para os pacientes”, disse Coresh, diretor fundador do Instituto de Envelhecimento Ótimo da Faculdade de Medicina Grossman da Universidade de Nova York.

Saber quantos anos a mais de boa saúde podem ganhar ao fazer determinadas mudanças no seu estilo de vida pode ser mais motivador para os pacientes do que conhecer apenas uma porcentagem de risco de desenvolver demência, acrescentou.


O estudo mostra apenas uma associação, não uma relação de causa e efeito, especialmente porque os pesquisadores mediram a pressão alta, o diabetes, o tabagismo e outros fatores de saúde, como o peso, apenas uma vez antes de fazer um acompanhamento dos participantes durante um período mediano de aproximadamente 26 anos.

Embora a saúde cerebral tenha sido avaliada várias vezes, até 2022 como data mais recente, muitos outros fatores podem ter mudado durante esse tempo.


“Estes resultados devem ser vistos como uma estimativa importante e não como uma previsão exata para cada pessoa”, disse a Dra. Sanjula Singh, professora assistente de neurologia da Faculdade de Medicina de Harvard, em Boston, que não participou do estudo.

O cardiologista Andrew Freeman, que também não participou da pesquisa, disse que o estudo é “realmente empolgante”, embora também demonstre que “ainda há muito a fazer para que as pessoas levem uma vida mais saudável”.

“Um dos conceitos que estamos começando a ver cada vez mais é o de anos de vida saudável em comparação com a expectativa de vida”, disse Freeman, diretor de prevenção cardiovascular e bem-estar do National Jewish Health, em Denver.

“Uma coisa é estar vivo; outra muito diferente é estar vivo e com boa saúde, e evitar a maldição americana, que consiste em trabalhar duro a vida toda, economizar dinheiro, se aposentar e depois sofrer infartos, acidentes vasculares cerebrais ou demência.”

Se você tem pressão alta ou diabetes tipo 2, ou quer parar de fumar, fale com seu médico, recomendou Coresh.

A hipertensão e o diabetes compartilham vários fatores de risco, entre eles a inatividade física, a obesidade, uma alimentação não saudável, o consumo de álcool e o tabagismo, apontaram os especialistas. Por isso, prevenir ou controlar estas doenças passa, em parte, por modificar esses hábitos.

Uma alimentação baseada em plantas e com pouca gordura, como a dieta DASH (Enfoques Alimentares para Parar a Hipertensão), pode dar excelentes resultados, disse Freeman.

Também é importante fazer exercício suficiente — a OMS (Organização Mundial da Saúde) oferece recomendações a esse respeito —, dormir o suficiente e controlar o estresse.

“A forma como vivemos tem o impacto mais profundo, e falo de um efeito que nenhum medicamento pode igualar”, acrescentou Freeman. Cerca de 45% dos casos de demência são atribuídos a fatores de risco modificáveis, disse Singh, também pesquisadora principal do Brain Care Labs e da Global Brain Care Coalition do Hospital Geral de Massachusetts.

Quanto ao tabagismo, Freeman destacou que parar de fumar deve ser uma decisão própria para ter sucesso. “Uma vez que existe essa motivação, há muitas ferramentas que podem ajudar”, afirmou.

Entre elas, mencionou os adesivos de nicotina, o exercício, as pílulas e gomas de mascar de nicotina, vários medicamentos, os programas terapêuticos e a acupuntura.

Ele também lembrou que fumar é um hábito associado a determinadas rotinas e contextos sociais, motivo pelo qual pode ser necessário mudar esses hábitos e até mesmo o círculo social por pelo menos seis meses para aumentar as chances de largar o cigarro.

Os participantes desta pesquisa fazem parte do estudo Atherosclerosis Risk in Communities, que acompanha desde o final da década de 1980 cerca de 15.800 adultos de quatro comunidades dos Estados Unidos.

No início do estudo, os participantes tinham entre 45 e 65 anos. As comunidades incluídas foram o condado de Forsyth, na Carolina do Norte; Jackson, no Mississippi; oito subúrbios do noroeste de Minneapolis, em Minnesota, e o condado de Washington, em Maryland. 56% dos participantes da análise mais recente eram mulheres.

Não apresentar nenhum dos três fatores de risco foi associado a 30,1 anos livres de demência, em comparação com os 17,5 anos registrados entre aqueles que tinham os três fatores.

Essa diferença explica o possível atraso de quase 13 anos no risco de desenvolver demência se esses fatores tivessem sido controlados.

As mulheres permaneceram livres de demência por um período ligeiramente maior do que os homens, e os participantes negros desenvolveram a doença alguns anos antes dos participantes brancos.

Aos 85 anos, apenas 7% dos adultos com os três fatores de risco continuavam livres de demência, em comparação com 35% daqueles que não apresentavam nenhum.

Os participantes com pior estado de saúde tinham um IMC (Índice de Massa Corporal) mais alto, maior prevalência de acidente vascular cerebral, menor nível de atividade física e menor nível educacional.

Também era mais provável que fossem negros — o que poderia explicar o menor número de anos livres de demência neste grupo — e portadores do gene APOE ε4, o principal fator de risco genético para a doença de Alzheimer, a forma mais comum de demência.

Com o tempo, estes três fatores de risco “podem danificar os vasos sanguíneos de todo o corpo, incluindo os que irrigam o cérebro, reduzindo o suprimento de oxigênio e nutrientes e aumentando o risco de acidente vascular cerebral e doença de pequenos vasos”, explicou em um comunicado a Dra. Jacqui Hanley, diretora de financiamento para pesquisa do Alzheimer’s Research UK.

“Este dano pode fazer com que o cérebro fique mais vulnerável ao declínio cognitivo e à demência”, acrescentou Hanley, que não participou do estudo.

A saúde cerebral e os hábitos saudáveis são construídos a partir de muitas decisões pequenas e constantes ao longo do tempo, disse Singh. “Defina metas. Procure amigos ou familiares que ajudem você a manter o compromisso ou com quem possa praticar exercícios.”

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