Falsificação de medicamentos bate recorde em meio à pandemia

Fiscalizações mostram que as quadrilhas estão se especializando em produtos de alto custo, que por conta das restrições de acesso dificultam a identificação

Crescimento ocorre em meio à pandemia de covid-19

Crescimento ocorre em meio à pandemia de covid-19

Pixabay

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou nesta sexta-feira (5) um alerta sobre o crescimento dos casos de falsificação de medicamentos no Brasil.

De acordo com o órgão federal, em 2018 foram identificadas três ocorrências, no ano seguinte quatro. Já nos seis primeiros meses de 2020, o número saltou para cinco. 

Entre os casos, há uma incidência maior entre remédios de alto custo. Lotes de Harvoni, por exemplo — que é indicado para o tratamento da hepatite C crônica—, estão entre as falsificações.

"Ações de fiscalização mostram que as quadrilhas estão se especializando nesses medicamentos uma vez que possuem o uso mais restrito, então poucos frascos podem render muito lucro e a falsificação se torna de difícil percepção", explica a nota da agência. 

As organizações criminosas têm atuado, principalmente, durante o processo de importação e venda de medicamentos no País. "Os produtos médicos falsificados são, normalmente, transportados por avião ou barco, muitas vezes usando rotas diferentes das usuais", alerta. 

A OMS (Organização Mundial da Saúde), agência subordinada à ONU (Organização das Nações Unidas), classifica um remédio como "fraudulento" quando são identificadas alterações em relação à identidade visual, origem e, também, produção da substância. 

"Medicamentos falsificados podem possuir substâncias controladas, proscritas ou até tóxicas em quantidades desconhecidas, e ainda apresentar o insumo farmacêutico ativo em quantidades incorretas ou completamente ausente, resultando em 'medicamentos' fora dos padrões essenciais de qualidade, eficácia e segurança", alerta. 

O aumento acontece em meio à pandemia de covid-19, doenças respiratória que já matou mais de 388 mil pessoas em todo o mundo, segundo a Universidade Johns Hopkins.