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Ministério da Saúde recomenda manter distância de capivaras; saiba por quê

Tiktoker Agenor Tupinambá viralizou ao postar vídeos com os animais, mas acabou multado em R$ 17 mil pelo Ibama

Saúde|Do R7

Capivaras são hospedeiras de carrapatos que podem ter bactéria causadora de febre maculosa
Capivaras são hospedeiras de carrapatos que podem ter bactéria causadora de febre maculosa Capivaras são hospedeiras de carrapatos que podem ter bactéria causadora de febre maculosa

O tiktoker Agenor Tupinambá ficou conhecido por postar vídeos que mostravam a rotina dele com uma capivara, mas acabou sendo multado em R$ 17 mil pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

Além dos motivos alegados pelo órgão ambiental, o convívio com capivaras também é desaconselhável, segundo orientações do Ministério da Saúde, devido ao risco de uma doença que pode ser fatal: a febre maculosa.

De acordo com o Ibama, o rapaz aparecia em vídeos interagindo com animais silvestres e foi autuado por quatro motivos: "morte de uma preguiça-real, situação confirmada por Agenor; prática de maus-tratos em animal silvestre (preguiça-real); uso de espécimes da fauna silvestre sem a devida permissão de autoridade competente (capivara e papagaio); exploração da imagem de animal silvestre mantido em situação de abuso (capivara) e irregularmente em cativeiro".

O instituto ainda frisa que "a divulgação de imagens do uso de animais selvagens como animais domésticos estimula a vontade de as pessoas retirarem esses animais do seu habitat e, principalmente, incentiva o tráfico de animais silvestres".

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Como as capivaras estão cada vez mais presentes em áreas urbanas, autoridades sanitárias temem que o convívio com humanos possa levar a casos de febre maculosa.

Um comunicado emitido pela Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde em 2019 adverte que a capivara é o principal hospedeiro amplificador das bactérias Rickettsia rickettsii e Rickettsia parkeri, causadoras da doença, e dos vetores de transmissão, os carrapatos do gênero Amblyomma — mais especificamente, o carrapato-estrela.

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Não há registro de febre maculosa no Amazonas, onde o influenciador vive, mas atitudes como a dele em outros locais podem representar um risco da doença.

A bactéria Rickettsia rickettsii provoca a FMB (febre maculosa brasileira), considerada pelo Ministério da Saúde uma doença grave. Ela já foi detectada no norte do Paraná e em estados da região Sudeste.

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Já a bactéria Rickettsia parkeri é encontrada em ambientes de mata atlântica (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Bahia e Ceará) e é responsável por casos menos graves.

Diante disso, o Ministério da Saúde afirmou, no ofício de 2019, que, "no momento da ocorrência de casos da febre maculosa, não é recomendado o manejo imediato das capivaras sem estudo prévio, seja abate assistido, remoção parcial ou total ou manejo reprodutivo. O impacto de ações de interferência em grupos de capivaras só será percebido a longo prazo; portanto, o manejo não interrompe imediatamente a transmissão da febre maculosa, mesmo em situações emergenciais. O manejo inadequado de capivaras pode aumentar o risco de ocorrência da doença".

Além da febre em si, os sintomas da doença incluem dor de cabeça intensa, enjoo, vômito, diarreia, dor abdominal e dor muscular constante.

Os pacientes podem apresentar também manchas vermelhas nos pulsos e tornozelos, que não coçam mas podem aumentar em direção à palma das mãos, braços ou sola dos pés.

Em casos graves, há gangrena nos dedos e orelhas e paralisia dos membros, que se inicia nas pernas e sobe até os pulmões, causando parada respiratória.

Os primeiros sintomas da febre maculosa podem ser confundidos com os de outras doenças, como dengue, leptospirose, malária, meningite etc. Entretanto, exames de sangue específicos podem comprovar a presença da bactéria.

O tratamento é feito com antibióticos. Algumas pessoas, devido à gravidade do caso, precisarão ficar internadas para receber suporte.

O Brasil registrou nos últimos cinco anos 321 mortes por febre maculosa, segundo boletim epidemiológico do Ministério da Saúde.

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