Logo R7.com
RecordPlus
‌

Pacientes defendem liberação no País de remédio para tratar câncer de medula

Lenalidomida é indicada para os pacientes que já não respondem aos remédios usuais

Saúde|Da Agência Brasil

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window

Deputados federais e médicos discutiram nesta quinta-feira (15) a negativa da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em autorizar o registro de medicamento com a substância lenalidomida, que é usada no tratamento de pacientes com mieloma múltiplo, um tipo de câncer de medula óssea. O debate ocorreu na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara do Deputados.

O médico e diretor de políticas públicas da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), Dirceu Raposo Mello, defendeu o uso da substância com monitoramento e controle por parte das autoridades.

‌

— Tem pacientes que vão à Justiça e conseguem o tratamento, aí o SUS [Sistema Único de Saúde] importa. O quê fazer? A revisão do ato [da Anvisa] e a autorização do uso no País.

Histórias de superação: pequenos pacientes com câncer lutam pela sobrevivência

‌

Ele relatou na comissão que, atualmente, mais de 80 países no mundo usam a substância para tratamento de pacientes com mieloma múltiplo.

A lenalidomida é indicada para os pacientes que já não respondem aos remédios usuais ou abandonam o tratamento por causa dos efeitos colaterais provocados pela talidomida, entre eles, formigamento nas mãos e nos pés. Apesar do mieloma múltiplo ser incurável, o medicamento serve para amenizar os efeitos da doença. A lenalidomida integra o mesmo grupo da talidomida (usada no país para o tratamento de aids, lúpus, da hanseníase, de doenças crônicas e de câncer).

‌

Menina que ficou famosa por dicas de beleza na internet morre após lutar contra o câncer por seis anos

Ao indeferir o pedido de registro de medicamento contendo lenalidomida, em dezembro de 2012, a Anvisa informou manter os argumentos usados em ocasiões anteriores como a apresentação de estudo comparando o medicamento a base de lenalidomida com tratamento envolvendo placebo e falta de consistência do plano de controle sobre os riscos relacionados à droga, que é análoga da talidomida.

‌

A diretora do Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias em Saúde do Ministério da Saúde, Clarice Petramale, destacou que é preciso ter cautela antes de liberar o uso e incorporar o medicamento com lenalidomida ao SUS.

— Queremos que haja comprovação das evidências, que a empresa que produz o medicamento e propõe o registro do medicamento no Brasil prove o que está dizendo. Não basta dizer que melhora os pacientes, precisamos ver os estudos clínicos para ver se o comparador foi correto, quantos por cento melhoraram.

Adalberto Romar faz tratamento para o mieloma múltiplo e relatou, durante a audiência, as dificuldades enfrentadas em função da doença. Ele pediu ao governo federal que autorize a entrada no país de medicamento com lenalidomida.

— Exigimos do governo federal uma saída. Dê a nós condição de tratar.

O deputado Fernando Francischini (PEN-PR), um dos responsáveis pela convocação do debate, disse que a Anvisa foi convidada para participar, mas respondeu por ofício e não enviou representante. Procurada pela Agência Brasil, a Anvisa informou que não pode prestar informações sobre o remédio em audiência pública. De acordo com a agência reguladora, a empresa reponsável pelo medicamento solicitou que o julgamento de recursos fosse feito em sessão fechada.

— Assim para prestar as informações, a Anvisa necessitaria de autorização expressa da empresa Zodic Produtos Farmacêuticos S/A, pois os dados do estudo pertencem à empresa e envolvem informações sobre o processo produtivo do produto. Para que as Anvisa faça os esclarecimentos seria necessário expor tais dados. Este documento foi entregue ao deputado Fernando Francischini antes da audiência.

Siga R7 no Google e fique por dentro de tudo que acontece

Seguir no Google

Últimas

‌

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.