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SUS vai ampliar proteção vacinal contra doença pneumocócica

Disponibilizado a partir de junho, imunizante substitui versão antiga para conter o aumento dos casos de meningite bacteriana

Saúde|Da Agência Brasil

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O SUS introduzirá a vacina VPC20 em junho, substituindo a versão 10-valente para ampliar a proteção contra a doença pneumocócica.
  • A nova vacina visa conter o aumento dos casos de meningite bacteriana, que subiram de 164 para 211,3 casos anuais em crianças de até 5 anos.
  • A VPC20 cobrirá mais sorotipos da bactéria, incluindo aqueles responsáveis por 40% dos casos graves não prevenidos pela VPC10.
  • O calendário de vacinação infantil será ajustado para incluir a VPC20, e a vacina é contraindicada para pessoas com alergia grave aos seus componentes.

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Vacina previne doenças causadas pela bactéria pneumococo, como sinusite, pneumonia e meningite Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil - Arquivo

O SUS (Sistema Único de Saúde) vai oferecer, a partir de junho, um imunizante mais abrangente contra a doença pneumocócica. A vacina VPC20 ou Pneumo 20 (vacina pneumocócica conjugada 20-valente) vai substituir a 10-valente, dobrando o número de tipos de bactérias prevenidos.

O Ministério da Saúde publicou nesta quarta-feira (27) um guia técnico preliminar com orientações sobre a mudança para profissionais de saúde. Os municípios poderão começar a aplicar a vacina assim que receberem o imunizante.


A doença pneumocócica é uma infecção causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, ou pneumococo, que pode ocasionar quadros leves, como inflamação no ouvido ou sinusite, ou graves, como pneumonia bacteriana, meningite e sepse.

Estima-se que o pneumococo seja responsável por até 50% de todos os casos de meningite bacteriana em crianças. A mortalidade nesses casos é de cerca de 30%. Além das crianças pequenas, idosos e indivíduos com comorbidades ou imunossupressão são mais vulneráveis.


Aumento de casos

A vacinação contra a doença, com a VPC10, foi incluída no calendário básico infantil em 2010 e desde então, houve redução de 60% dos casos de doença meningocócica causada por algum dos 10 sorotipos combatidos pela vacina em crianças de até dois anos. Os registros de meningite pneumocócica na mesma faixa etária também caíram 65%.

No entanto, os casos vêm crescendo. De 2013 a 2019, o Brasil registrou uma média de 164 incidências anuais de meningite pneumocócica em crianças de até 5 anos. De 2022 a 2024, a média anual subiu para 211,3 casos.


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A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Flávia Bravo, explica que o aumento é reflexo de uma mudança epidemiológica decorrente da própria efetividade da vacinação.

“A introdução da vacina 10-valente foi excelente na redução desses dez tipos, o que representou uma queda importante nas doenças graves. Mas o pneumococo tem uma característica que a gente chama de “replacement”: você controlando um tipo, reduzindo a circulação, outro tipo pode começar a ganhar o espaço.”


Maior proteção

Dados da vigilância do Ministério da Saúde mostram que quase 40% dos casos graves com amostra coletada entre 2018 e 2023 foram causados por apenas dois tipos da bactéria não prevenidos pela VPC10, mas incluídos na formulação da VPC20.

“Além disso, nos menores de 1 ano, cerca de 11% dos casos de meningite meningocócica são causados pelos outros tipos adicionais da vacina 20-valente. Isso significa que há a possibilidade de a gente voltar a reduzir a curva de incidência porque estaremos protegendo exatamente contra os sorotipos que hoje prevalecem”, esclarece Flávia Bravo.

As vacinas pneumocócicas conjugadas, que são o caso tanto da VPC10 quanto da VPC20, também evitam que o pneumococo se instale na faringe de pessoas vacinadas. Por isso, além de evitar que elas desenvolvam a doença, o imunizante impede a transmissão, promovendo proteção indireta às pessoas não vacinadas.

Grupos de risco

O Programa Nacional de Imunizações já oferece outras vacinas mais abrangentes contra a doença pneumocócica, a VPC13 e a VPP23, mas apenas para públicos específicos, com determinadas condições de saúde que aumentam a vulnerabilidade às formas graves da doença. Esses imunizantes também serão substituídos pela VPC20 após o fim dos estoques.

Fazem parte dos grupos de alto risco que devem tomar a vacina:

  • Pessoas vivendo com HIV;
  • Pacientes oncológicos;
  • Transplantados de órgãos sólidos ou medula;
  • Imunodeficientes;
  • Pessoas com nefropatias, pneumopatias, cardiopatias e hepatopatias crônicas;
  • Asmáticos graves;
  • Diabéticos;
  • Pessoas com síndrome de down;
  • Prematuros.

Esquema de vacinação

O calendário básico de vacinação prevê que os bebês devem receber duas doses da vacina pneumocócica, aos 2 e aos 4 meses de idades, com mais uma dose de reforço aos 12 meses. Crianças menores de 5 anos que não tenham sido vacinadas na idade correta devem atualizar a carteira.

Durante o período de transição da VPC10 para a VPC20, as crianças receberão a vacina 20-valente na primeira dose e no reforço, e a 10-valente na segunda dose.

Crianças que já receberam a primeira dose da vacina 10-valente, serão vacinadas com a 20-valente na segunda dose e no reforço. Uma dose de reforço da VPC20 também será aplicada nas crianças com menos de 5 anos que completaram apenas o esquema básico de duas doses com a VPC10.

A vacina só é contraindicada para pessoas com alergia grave a algum componente da fórmula ou que apresentaram reação alérgica severa em doses anteriores. Recomenda-se também que quem estiver com febre espere melhorar antes de se imunizar.

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