Brasil segue ‘lidando com uma revolução tecnológica no escuro’, diz especialista
Inteligência artificial já realiza até 80% das tarefas complexas, ampliando o debate sobre substituição de profissionais
Tecnologia e Ciência|Do R7, com RECORD NEWS
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7
Uma análise da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, revelou que, desde a popularização do ChatGPT, houve uma queda de 2,7% de empregos entre jovens de 22 e 25 anos. Em alguns setores, como da indústria criativa, finanças e software, essa queda chegou a 12,8%. Se antes, quando lançadas ao público geral, uma ferramenta de IA não conseguia realizar tarefas mais complexas, hoje a realidade já é outra.
Segundo uma pesquisa da Míter, organização que monitora riscos de danos sociais causados por IA, em 2023, modelos conseguiam concluir tarefas que um humano faria em cinco minutos, mas não concluíam as que levavam uma hora ou mais. Em 2026, uma versão prévia do Claude Mythos conseguia terminar 80% das tarefas mais longas.
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João Victor Achegas, professor de direito, especialista em tecnologia e mestre formado por Harvard, considera que esse medo é justificado, pois ainda há pouco conhecimento sobre o “real impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho”. No contexto brasileiro, essa situação é ainda mais alarmante, pois há muito poucas pesquisas que avaliam os riscos de substituição por IA no país.
Uma dessas pesquisas é da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e do Banco Mundial, que afirmam que aproximadamente dois milhões de postos de trabalho no Brasil podem ser substituídos por inteligência artificial até 2030. No entanto, ainda não há um observatório nacional de inteligência artificial e trabalho, nem pesquisas sólidas que busquem incorporar essa metodologia no mercado brasileiro.
O especialista ressaltou que existe uma diferença entre uma IA capaz de substituição e uma IA capaz de complementação. Os estudos identificam indivíduos que estão expostos a possíveis riscos e alterações pelo modelo em suas atividades de trabalho, “mas isso pode ser benéfico. Pode ser uma IA que vem para transformar o seu trabalho em um sentido positivo, fazendo com que você se torne um profissional mais produtivo.”
No entanto, para que isso ocorra, é preciso investir em capacitação, conhecida como “requalificação profissional na era da inteligência artificial”. De acordo com o especialista, menos de 2% das grandes empresas possuem estratégias claras em seus documentos públicos sobre a requalificação de profissionais na era da inteligência artificial. Portanto, é necessário desenvolver estratégias sólidas e bem elaboradas para reposicionar esses trabalhadores.
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