Empresa quer vender sushi com salmão 'cultivado' nos EUA
Startup aposta na 'agricultura celular' para criar carne de peixe sem recorrer a pesca e aguarda liberação do governo para venda
Tecnologia e Ciência|Fábio Fleury, do R7

Uma startup da Califórnia quer ser a primeira empresa do mundo a fornecer carne de salmão 'cultivada' em laboratório para ser servida em restaurantes japoneses. A Wildtype anunciou uma parceria com uma cadeia de pequenos restaurantes em mais de 1.230 supermercados e mercearias e outra com 65 restaurantes de médio porte para fornecer o produto.
De acordo com a imprensa norte-americana, a Wildtype e seis parceiros, a Snowfox e a Pokéworks aguardam apenas uma liberação para a comercialização e consumo da carne feita por meio de reprodução celular, por parte da FDA, a agência federal norte-americana responsável por alimentos e medicamentos, para colocar os sushis cultivados no mercado.
O salmão da Wildtype não precisa ser criado em fazendas nem pescado. Ele é criado a partir de células vivas de salmão do Pacífico em equipamentos chamados biorreatores, que são parecidos com tanques de fermentação de cerveja. Após se reproduzirem, as células são colocadas sobre estruturas semelhantes a andaimes, onde crescem até se tornarem pedaços de carne de peixe.
Tão bom quanto o original?
Segundo Justin Kolbeck, um dos fundadores da Wildtype, o salmão cultivado tem o sabor, a aparência e o valor nutritivo — inclusive níveis de ômega-3 — similares aos do peixe pescado, mas sem contaminantes que podem aparecer na natureza e no cativeiro, como microplásticos, mercúrio e antibióticos.
"Ele pode ser usado exatamente como o salmão convencionão em pratos típicos de sushi e temos certeza que as pessoas vão adorar", afirma Kolbeck.
A ideia de investir no processo para cultivar a carne de salmão se deve ao fato de ser o segundo principal produto do mar mais consumido nos EUA depois do camarão, por ser procurado por seu valor nutricional e sua versatilidade. "E também pela pesca predatória na natureza", diz o empresário ao site Livekindly.
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A empresa ainda precisa vencer a fase regulatória e obter a aprovação da FDA para poder comercializar o produto. Até o momento, o único país que já autorizou a venda de carne cultivada por meio celular é Singapura.
Enquanto isso, a Wildtype busca ampliar sua produção para atender o mercado norte-americano. A primeira fábrica, em San Francisco, atualmente cultiva cerca de 22,5 toneladas do produto por ano, mas deve ser incrementada para cerca de 100 toneladas caso a FDA libere a venda.
"Estamos em contato com a FDA desde 2019 e estamos impressionados com a velocidade e cuidado com que está tratando a agricultura celular", completa Kolbeck.















