Foguete da SpaceX deve colidir com a Lua; entenda o que pode acontecer
Especialista diz que impacto ajudará estudos científicos, mas destaca a falta de coordenação internacional para controlar lixo espacial
Tecnologia e Ciência|Do R7, com RECORD NEWS
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Um segundo estágio de um foguete Falcon 9, da SpaceX, deve colidir com a Lua nos próximos dias. Segundo Pedro Pallota, especialista em Astronáutica e fundador do grupo Space Orbit, o objeto segue sua trajetória pelo espaço porque não possui mais sistemas de propulsão capazes de alterar seu curso.
De acordo com o especialista, a influência da radiação solar ao longo do tempo contribuiu para o ajuste da rota do estágio do foguete, levando à previsão de impacto na cratera Einstein, na superfície lunar. “Esse impacto já está previsto, tem uma certeza muito grande de que ele vai acontecer. É uma explosão que, se tiver algum resto de propelente ali dentro do foguete, normalmente não tem, mas pode sempre sobrar alguma coisa, deve causar uma cratera nada muito grande assim na Lua, por volta de 30 metros.”

Apesar da colisão, Pallota ressalta que não há riscos relevantes para a Lua, dado que é uma cratera pequena. O evento, porém, desperta interesse da comunidade científica. Conforme explica o especialista, impactos desse tipo ajudam a compreender melhor os processos de formação de crateras e os efeitos das atividades humanas fora da Terra.
“Quando a gente tem um impacto na Lua, é possível entender como elas são formadas, então ajuda a Terra a entender como outras crateras da Lua foram formadas ao longo do tempo e também entender o nosso impacto literalmente no nosso satélite natural, porque, se a gente tenta preservar a Terra de ter o mínimo de lixo espacial possível, ainda que isso seja muito difícil, a gente também tem que preservar a Lua”, explica.
O caso também reacende o debate sobre o volume crescente de lixos espaciais. Com milhares de satélites em órbita e um número cada vez maior de lançamentos, especialistas alertam para os riscos associados à reentrada de componentes de foguetes e outros equipamentos.
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Embora grande parte dos equipamentos seja projetada para se desintegrar na atmosfera, componentes maiores ainda podem atingir a superfície terrestre. “Isso é um problema muito sério e que a gente tem visto acontecer com mais frequência: a reentrada de lixo espacial em órbita da Terra. Hoje a gente tem uma quantidade gigantesca de satélites, mais de 10 mil satélites só da SpaceX, mas os satélites da SpaceX têm uma vantagem, pelo menos, de que eles são feitos para durar pouco tempo, entre 3 a 5 anos, e queimar mais de 95% durante a reentrada”, explica Pallota.
Para o especialista, o problema exige uma coordenação internacional mais dedicada. Ele destaca que, diante do aumento dos lançamentos espaciais nos últimos anos, a criação de mecanismos internacionais de monitoramento e minimização de lixo se tornou uma necessidade cada vez mais urgente.
“Não há uma coordenação internacional bem construída, bem feita, e não há nenhum tratado assinado que seja global com relação a isso, infelizmente”, finaliza Pallota.
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