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Saiba o que fazer e como se proteger de um deslizamento

Acidentes com deslocamento de terra de encostas são comuns durante a temporada de chuvas de verão, entre dezembro e março

Tecnologia e Ciência|Lucas Ferreira, do R7

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Especialista afirma que m³ em deslizamento pode chegar a pesar 1,5 tonelada
Especialista afirma que m³ em deslizamento pode chegar a pesar 1,5 tonelada

A proximidade do verão, que começa oficialmente no dia 21 de dezembro, traz consigo a temporada de chuvas, em especial na região Sudeste do país. Para as pessoas que mora em áreas de encosta ou próximas de morros, o período também acende o sinal de alerta para possíveis deslizamentos.

O geólogo do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) Marcelo Gramani destaca que a população precisa entender dois tipos de chuvas: as acumuladas, que duram por alguns dias, e as concentradas, temporais repentinos tradicionais do verão.

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“As prolongadas, geralmente, são mais favoráveis para os deslizamentos. Não quer dizer que não aconteça com as pancadas, mas as pancadas de chuva favorecem muito mais aos fenômenos ligados às enchentes e inundações do que deslizamentos.”

Para Gramani, o primeiro passo para se proteger de um possível deslocamento de terra é saber se a área em que o imóvel foi construído é um local propenso a deslizamentos. O geólogo explicou que prefeituras e órgãos, como a Defesa Civil, costumam ter mapas públicos de áreas sensíveis a esse tipo de fenômeno.

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Outra ação que pode ser um diferencial para sobreviver a um deslizamento é fiscalizar com cuidado e atenção o imóvel e terreno em que a edificação foi construída. Trincas e rachaduras na parede de uma casa, água saindo do chão e muros ou postes inclinados podem significar movimentação de solo.

“Se as pessoas conseguirem enxergar, identificar esses pontos, elas podem acionar a Defesa Civil do munícipio, procurar o setor de engenharia e obras da prefeitura para que essas equipes analisem detalhadamente [o terreno], com conhecimento”, explicou Gramani.

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De acordo com o geólogo, as pessoas devem pensar na autoproteção antes de qualquer bem material. Apesar da maioria dos deslizamentos serem repentinos, as chuvas e o tipo de terreno podem dar indicações de um possível acidente. “Sair de casa é complicado, mas é preciso fugir das situações mais críticas”.

Diferente de terremotos, no qual a população é instruída a ficar embaixo de mesas e portas, os deslizamentos, que podem pesar mais de 1,5 tonelada por m³ de terra, não costumam deixar espaços como bolsões de ar para que as pessoas se abriguem.

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“O deslizamento envolve uma grande quantidade de material”, conta Gramani. “Aquela massa somada à água tem peso enorme, o que destrói as moradias e acaba com qualquer espaço. Diferente dos terremotos, em que se indica ficar embaixo das mesas, o escorregamento destrói lateralmente a casa com uma massa muito fluída”.

Gramani destaca que os moradores de casas em encostas devem usar a arquitetura dos imóveis ao seu favor. Como a maioria das edificações tem a parte dos fundos para o morro, o geólogo explica que muitas vezes os cômodos da entrada podem ser menos atingidos pelo deslocamento de terra, dando chances maiores de sobrevivência aos moradores.

Desastre em gruta de Altinópolis

O desabamento da gruta Duas Bocas, em Altinópolis (SP), matou na madrugada do último domingo (31) nove pessoas, entre instrutores e bombeiros civis, que participavam de um treinamento de busca e resgate em cavernas. Gramani esteve no local e afirmou que não acredita que as vítimas tenham descumprido procedimentos durante a incursão.

O geólogo destacou que treinamentos como este ocorrem rotineiramente e sem vítimas. Para o especialista, é importante que guias e turistas tenham conhecimento dos riscos que cada tipo de ambiente pode proporcionar.

“É importante ter informação dos locais que vamos visitar, dos riscos envolvidos, do preparo para um eventual acidente. A gente, como turista, cidadão, precisa saber o que fazer para fugir de um cenário perigoso.”

Gramani conclui dizendo que as autoridades precisam investir em programas de monitoramento para aumentar a previsibilidade de desastres como deslizamentos de encostas.

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