França suspende venda de navio de guerra para a Rússia
O governo russo disse que a decisão prejudica mais a França do que a Rússia
Internacional|Do R7, com Reuters

Mesmo com as propostas do presidente russo, Vladimir Putin, para um cessar-fogo no leste da Ucrânia, divulgadas nesta quarta-feira (3), a França expressou sua desaprovação ao apoio de Moscou aos separatistas freando a entrega de um navio de guerra.
O gabinete do presidente francês, François Hollande, anunciou a suspensão em retaliação ao apoio da Rússia aos separatistas que atuam no leste da Ucrânia.
O contrato foi assinado por ambos os países em 2011, com custo estimado de R$ 3,6 bilhões (1,2 bilhão de euros). A entrega do primeiro navio estava marcada para outubro desse ano e do segundo, para 2015.
O governo de Hollande vinha adiando a decisão, mesmo diante da escalada de violência. Alguns deputados americanos fizeram apelos públicos para que o país suspendesse o contrato.
Moscou afirmou que a rejeição do negócio prejudicaria mais a França do que a Rússia, e o Ministério da Defesa russo disse não ver “nenhuma tragédia” na decisão, mas o gesto deve irritar o Kremlin e ressaltar o isolamento cada vez maior da Rússia.
Putin apresenta plano de 7 pontos para solucionar crise no leste da Ucrânia
Depois de falar com o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, por telefone, Putin disse acreditar que Kiev e os separatistas pró-Rússia podem chegar a um acordo nas conversas planejadas para acontecer em Minsk, Belarus, na sexta-feira.
“Nossas visões sobre a maneira de resolver o conflito, me pareceu, são muito próximas”, declarou Putin aos repórteres durante uma visita à capital da Mongólia, Ulan Bator, descrevendo as sete etapas que propôs para garantir um desfecho para a crise.
Entre elas estão a suspensão de operações ofensivas dos separatistas, o recuo das forças ucranianas, o fim dos ataques aéreos ucranianos, a criação de corredores de ajuda humanitária, a reconstrução da infraestrutura danificada e a troca de prisioneiros.
Poroshenko indicou que a conversa com Putin injetou algum ânimo nos esforços para encerrar o conflito, que já matou mais de 2.600 pessoas desde abril, dizendo esperar que “o processo de paz finalmente comece” nas tratativas de sexta-feira e que ele e Putin alcançaram um “entendimento mútuo” sobre os passos rumo à paz.
Kremlin declara que Putin não fechou acordo com Poroshenko de cessar-fogo no leste da Ucrânia
Mas o premiê ucraniano, Arseny Yatseniuk, chamou o plano de “decepção”, às vésperas de uma cúpula da Otan (Organização para o Tratado do Atlântico Norte) para discutir a Ucrânia, acrescentando com aspereza que “o verdadeiro plano de Putin é destruir a Ucrânia e restaurar a União Soviética”.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, também se mostrou cauteloso, afirmando que o conflito só pode terminar se a Rússia parar de fornecer armas e soldados aos rebeldes, acusação que Moscou nega.
CESSAR-FOGO
As propostas de cessar-fogo tiveram pouco impacto no leste da Ucrânia, palco dos conflitos. O bombardeio na cidade de Donetsk, controlada pelos rebeldes, continuou e colunas de fumaça foram vistas na área que inclui o aeroporto da cidade.
Líderes rebeldes disseram ter pouca fé que as forças ucranianas irão respeitar qualquer trégua nos combates.
Um cessar-fogo pode ser bem-vindo para que Poroshenko restaure a combalida economia do país e porque suas forças sofreram revezes nas últimas semanas.
O porta-voz de Putin Dmitry Peskov procurou abordar as preocupações com as propostas de trégua dizendo que elas não tratam da situação das áreas ocupadas pelos rebeldes.












