Governo da África do Sul admite "erro" com intérprete de sinais
Funcionário disse hoje que teve uma crise esquizofrênica e passou a "ouvir vozes"
Internacional|Do R7

O governo sul-africano admitiu nesta quinta-feira (12) que "cometeu um erro" ao permitir a escalação do intérprete de sinais que traduziu os discursos da cerimônia religiosa em memória de Nelson Mandela realizada na terça-feira (10).
A vice-ministra sul-africana de Mulheres, Crianças e Deficientes, Hendrietta Bogopane-Zulu, reconheceu a falha em entrevista à televisão pública SABC.
A Federação de Surdos do país denunciou que o intérprete era falso. Bogopane-Zulu disse que o governo está investigando por que o tradutor foi credenciado pela organização do ato e acrescentou que a companhia que o contratou "desapareceu no ar".
"Por razões de segurança, ele deveria de ter sido vetado, mas tinha credenciamento", disse a vice-ministra.
Bogopane-Zulu afirmou, no entanto, que o intérprete frequentou uma escola para aprender a linguagem dos sinais, embora não seja um tradutor profissional.
— Perdeu a concentração. O inglês foi demais para ele.
A linguagem materna do intérprete é xhosa, um dos cerca de cem dialetos falados na África do Sul e o utilizado pela tribo de Mandela.
"Se sentiu aflito. Cometeu um erro? Sim", admitiu a vice-ministra, antes de frisar que seu país procura "melhorar a cada dia".
A ministra explicou ainda que dois intérpretes deveriam se revezar a cada 20 minutos para manter a concentração.
"Não acho que, como país, tenhamos que dizer que deveríamos estar envergonhados", argumentou.
A ministra pediu que ninguém "ataque" o intérprete e afirmou que as "pessoas estão começando a perceber o que os surdos passam todos os dias".
Em declarações publicadas hoje no jornal local The Star, o intérprete, Thamsanqa Jantjie, de 34 anos, disse que sofreu um episódio esquizofrênico durante o evento.
Jantjie contou que começou a escutar vozes em sua mente e a ter alucinações, o que o fez perder a concentração.
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