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Parlamento derruba primeiro-ministro e instaura crise política em São Tomé e Príncipe

Menor país de língua portuguesa está sem primeiro-ministro desde o dia 28

Internacional|Do R7

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Partidários do primeiro-ministro deposto protestam na quinta-feira (29)
Partidários do primeiro-ministro deposto protestam na quinta-feira (29)

O arquipélago africano de São Tomé e Príncipe, de colonização portuguesa, vive uma crise política há três dias que está acirrando o clima entre os partidos do governo e da oposição.

Uma votação do parlamento local, dominado pela oposição, derrubou o primeiro-ministro do país na quarta-feira (28), indicando outro nome para seu lugar. Mas o presidente do país ainda não sacramentou a decisão, deixando um vazio de poder no país. Reuniões serão realizadas neste sábado (1º) para dar fim ao impasse político.

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Na última quarta, 29 deputados da Assembleia Nacional aprovaram uma Moção de Censura contra o governo liderado pelo primeiro-ministro Patrice Trovada (ADI), o 14º chefe constitucional desde que o país alcançou sua independência de Portugal, em 1975.

Alcino Pinto foi eleito ao cargo de presidente da Assembleia Nacional. Ele anunciou a decisão da maioria parlamentar e a entregou na mesma tarde ao presidente da República, Pinto da Costa. Só que o presidente ainda não reconheceu o novo primeiro-ministro e tenta resolver o imbróglio por meio de negociações.

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O ADI, partido de Trovada, diz que a decisão tomada na Assembleia não contou com a participação do governo. A casa legislativa é composta por 55 parlamentares, mas 29 são necessários para seu funcionamento. Desde o início da semana, os 26 deputados do partido governista receberam ordens para não comparecer às sessões.

A Moção de Censura foi aprovada pelos deputados dos três partidos da oposição (MLSTP/PSD, PCD e MDFM-PL), justamente os 29 legisladores que tomaram a decisão.

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Segundo o site privado local Téla Nón, o veredicto da oposição impediu o sucesso das negociações do presidente Pinto da Costa: o presidente negociava para aproximar o primeiro-ministro e a oposição, na tentativa de salvar a estabilidade e a democracia.

Clima de tensão

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O primeiro-ministro afastado, Patrice Trovoada, afirmou na manhã de quinta-feira (28) à Rádio Nacional que lançará o pais no “Caos e caos”, caso o desfecho da crise não seja de acordo com a sua posição.

— Caos significa confusão, desordem total. A democracia conferiu a São Tomé e Príncipe, um dos instrumentos chamado Moção de Censura, que várias vezes foi ativado durante o jogo democrático, mas nunca antes, a ativação deste mecanismo tinha aberto caminho para o país entrar no caos e caos.

Na tarde de quinta, houve uma manifestação organizada pelo ADI, de Patrice Trovoada.

As bandeiras e gritos de ordem dos presentes na passeata engrossaram a expressão de “rivalidade” vivida no país: “Patrice sai, Pinto sai”. Um aviso de que, se o governo for realmente destituído, o presidente Pinto da Costa também deve cair.

A portas fechadas

Para resolver a crise política, o presidente realiza nesta sexta-feira e sábado diversas reuniões com o primeiro-ministro deposto, ex-premiês e seu conselho de Estado, segundo a agência pública local STP-Press.

Mesmo sem a tradição de conflitos armados e violentos entre os cidadãos, o clima no país é de tensão.

Segundo fontes do R7, que pediram para não ser identificadas, o primeiro-ministro deposto, Patrice Trovoada, tem mobilizado seu partido e simpatizantes para uma reação violenta à decisão.

Mesmo nunca tendo ocorrido um conflito violento entre os cidadãos (quase todos são parentes ou possuem fortes laços de amizade), desta vez o debate político teria sido, segundo as fontes, transformado numa “guerra de torcidas de futebol”, onde cada grupo defende a sua preferência.

Segundo o STP-Press, a decisão no parlamento foi seguida de pancadaria entre os deputados.

Saiba mais sobre São Tomé e Príncipe

Com uma população inferior a 190 mil pessoas, São Tomé e Príncipe é o menor país de língua oficial portuguesa. Formado por duas ilhas e situado no Golfo da Guiné, o pequeno país africano conquistou a sua independência de Portugal em 1975. Desde então, vive sob seguidos problemas políticos e longe de consolidar a democracia.

O sistema de governo é definido por eles como “Presidencialista com pendor parlamentarista”.

Na prática, o presidente cuida das questões internacionais e é o responsável por reconhecer o primeiro-ministro, que, de fato, cuida do governo. As recorrentes quedas de governo ampliam a miséria da população.

Vivendo de doações internacionais, São Tomé e Príncipe sofre os efeitos da atual crise econômica, já que que ela afeta os principais doadores europeus.

Além da língua, São Tomé e Príncipe e o Brasil têm em comum a origem histórica e uma série de parcerias nas áreas social, agrícola e internacional. A economia se baseia na pesca.

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