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Tchetcheno que disse ter planejado assassinato de opositor de Putin nega sua confissão

O advogado de Nemtsov destacou que o assassinato "foi, com toda segurança, planejado"

Internacional|Do R7

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Local onde Boris Nemtsov foi assassinado virou um memorial em sua homenagem
Local onde Boris Nemtsov foi assassinado virou um memorial em sua homenagem

O tchetcheno Zaur Dadaev, que tinha confessado ser o autor intelectual do assassinato do opositor russo Boris Nemtsov, voltou atrás em seu depoimento em uma entrevista ao defensor dos presos publicada nesta quarta-feira (11) pelo jornal russo Moskovski Komsomolets.

"Pela rádio dizem coisas horríveis sobre nós. Achava que ao chegar a Moscou poderia contar toda a verdade ao juiz, dizer-lhe que não sou culpado. Mas a juíza nem sequer me deixou falar", disse Dadaev. O ex-agente das forças especiais da Tchetchênia, detido na sexta-feira passada na vizinha república de Inguchétia, denunciou que a confissão lhe foi arrancada com surras e ameaças pelos agentes que praticaram a detenção.


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"Eles me deixaram dois dias com algemas nas mãos, algemas nos pés e um saco plástico na cabeça. Gritavam todo o tempo: Você matou Nemtsov? Eu respondia que não", garantiu Dadaev.


Segundo a última versão oferecida pelo tchetcheno, ele aceitou confessar quando lhe prometeram que libertariam seu amigo e antigo companheiro no batalhão Séver do Ministério do Interior da Tchetchênia, detido junto com ele.

"Aceitei. Pensei que assim lhe salvaria e chegaria vivo a Moscou", explicou Dadaev. Pouco depois que a agência russa "Rosbalt" antecipou no domingo passado a confissão de Dadaev, o líder da Tchetchênia, Ramzan Kadyrov, saiu em defesa do detido ao declarar que "é um autêntico patriota que não poderia dar nem um passo contra a Rússia".


"Lutei durante 11 anos contra os criminosos, defendendo os interesses da Rússia. Onde está a justiça? Onde devo colocar as medalhas com as quais me condecoraram por meu serviço?", se queixou Dadaev ao defensor dos presos.

A juíza Natalia Mushnikova anunciou ontem que Dadaev confessou seu envolvimento no assassinato de Nemtsov e ditou prisão preventiva para o ex-agente das forças especiais tchetchenas e seus supostos ajudantes, outros quatro cidadãos dessa república.


Tanto Vadim Projorov, o advogado do opositor russo assassinado com quatro tiros nas costas, como alguns de seus correligionários e partidários puseram em dúvida a motivação islamita alegada pelas autoridades que investigam o caso.

O advogado destacou que o assassinato "foi, com toda segurança, planejado" com participação dos serviços secretos russos, já que "ocorreu diante das próprias muralhas do Kremlin".

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O ex-primeiro-ministro e dirigente opositor Mikhail Kasianov, também comentou que não considera que os detidos sejam os que encomendaram a morte de seu colega e amigo, e tachou de "inadmissível" a versão que Nemtsov tenha sido baleado por radicais islamitas.

Segundo a Rosbalt, Dadaev confessou ter cometido o assassinato motivado pelas críticas de Nemtsov ao islã e sua defesa das caricaturas de Maomé publicadas pela revista francesa Charlie Hebdo. 

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