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‘Estamos amargando um processo negativo no setor agrícola muito grande’, diz presidente da Faesp

Tirso Meirelles, da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo, analisa os impactos da guerra no Oriente Médio para o agro brasileiro

Agronegócios|Do R7, com RECORD NEWS

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A guerra no Oriente Médio afeta o agronegócio brasileiro, com aumento nos preços do diesel e redução nas exportações.
  • Brasil depende de fertilizantes importados, apesar de possuir minerais para produzir nitrogenados localmente.
  • O país não aproveita as oportunidades para aumentar a produção de biodiesel, obrigando-se a exportar grãos e importar petróleo.
  • Apesar da capacidade de ser competitivo, a balança comercial e o setor produtivo agrícola enfrentam dificuldades sem uma diplomacia comercial eficaz.

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A guerra no Oriente Médio gera impactos no mundo inteiro e o agronegócio brasileiro também será afetado, segundo a análise da Faesp (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo). O aumento do preço do diesel e a diminuição das exportações de milho e proteína animal devem ser os primeiros efeitos a surgirem. A dependência do Brasil em fertilizantes que passam pela região é outro problema no radar da federação.

“90% de tudo que nós precisamos, principalmente o nitrogenado, nós trazemos de fora”, alerta o presidente do grupo, Tirso Meirelles. No Conexão Record News desta quarta (18), ele declarou que, apesar de o Brasil possuir os minerais necessários para fabricar nitrogenados nacionalmente e de maneira sustentável, o país ainda não investe na produção.


Produção voltada ao biodiesel e etanol não prejudicaria a alimentação brasileira Reprodução/Record News

“Nosso Código Florestal é o mais restritivo do mundo. Hoje preservamos 66% de toda a mata brasileira. Desses 66%, 30% é o produtor rural que faz a salvaguarda na sua propriedade. Se você monetizar esses 30% do produtor rural, dá um trilhão de dólares que doamos para a sociedade mundial”, ele avaliou.

Outra crítica levantada por Meirelles são as oportunidades que foram deixadas de lado na produção e comércio de biodiesel. Segundo o especialista, o Brasil hoje é obrigado a exportar os grãos para depois poder importar cerca de 30% do petróleo utilizado pelo país. Contudo, já existem condições favoráveis para aumentar a produção de biodiesel para 20%.


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Ele argumenta que tal medida diminuiria o custo de produção, que não seria repassado à sociedade na alimentação. “Temos uma indústria de etanol e de biodiesel muito importante no nosso país, a nível de milho, soja, palma; que não afetará, em hipótese alguma, a alimentação brasileira [...] Hoje o que precisa, sem dúvida nenhuma, é a diplomacia comercial que o Brasil não está tendo”.

“O óleo diesel aumentando, o custo da mão de obra aumentando, a vantagem do Brasil é que tem uma alta produtividade, então a gente consegue ainda ser concorrente lá fora para vender os nossos produtos, mas nós estamos hoje amargando um processo negativo no setor produtivo agrícola muito grande”, lamenta.


Ao abordar o futuro da guerra, Meirelles permanece pessimista quanto a uma resolução rápida e prevê que, com as consequências geradas pelo conflito, a diminuição de juros esperada pelo governo não deverá se concretizar. “O governo nunca arrecadou tanto e gastou tão mal os impostos do Brasil. [...] A balança comercial do país está comprometida com todos esses problemas. [...] Ainda conseguimos ser concorrentes lá fora, mas estamos amargando um processo negativo no setor produtivo agrícola”.

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