Produção de azeite brasileiro bate recorde histórico e cresce quase 500% em um ano
Safra alcança o maior volume já registrado no país mas ainda atende apenas 1% da demanda nacional
Agronegócios|Do R7, com RECORD NEWS
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A produção brasileira de azeite de oliva atingiu 1,434 milhão de litros em 2026, o maior volume já registrado no país. O resultado representa um crescimento de quase 500% em relação a 2025, ano marcado por condições climáticas adversas, e supera em 124% o recorde anterior, alcançado em 2023.
De acordo com a vice-presidente da Ibraoliva (Instituto Brasileiro de Olivicultura), Solange Neves, a safra histórica é resultado da combinação entre condições climáticas favoráveis e o amadurecimento dos olivais brasileiros. O Rio Grande do Sul liderou a produção nacional, com 1,170 milhão de litros, seguido pela Serra da Mantiqueira, que registrou 250 mil litros. Estados como Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo também contribuíram para o resultado da safra.

Apesar do recorde, a produção nacional ainda está distante de atender à demanda interna. “O Brasil começa a ter uma produção expressiva de azeite de oliva, ainda pequena perante a demanda. A nossa demanda é de 1% apenas que conseguimos atender do consumo do azeite de oliva no Brasil, mas é um produto de extrema qualidade”, afirma Solange.
A vice-presidente destacou os avanços na organização da cadeia produtiva e o reconhecimento crescente do azeite brasileiro entre consumidores e especialistas. “Então, é claro, o setor vem se organizando, nós estamos cada vez mais com uma maior governança e, por isso, a produção é muito boa. E, como eu comentei, ainda é muito pouco do que se consome no Brasil, mas essa diferença tem chegado na mesa do consumidor, as degustações têm acontecido por todo o país e isso faz com que o consumidor comece a compreender que o azeite brasileiro extra virgem é de extrema qualidade.”
O setor também vem acumulando reconhecimento internacional, impulsionado pela qualidade dos produtos nacionais e pelo crescimento da olivicultura no país. Ainda assim, os desafios climáticos seguem no radar dos produtores.
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Solange ressalta que a influência do El Niño e a ocorrência de eventos extremos exigem atenção constante do setor. “O El Niño está mudando, não é uma questão de Brasil, ele está mudando o clima do mundo, e a gente olha e vê problemas. Então, isso pode afetar sim o Rio Grande do Sul, por exemplo, está num período de previsões de grandes chuvas, isso pode afetar a produção? Pode, mas, nesse momento, as chuvas ainda não são um problema”, explica.
Para a vice-presidente da Ibraoliva, o crescimento da produção reforça o potencial do Brasil para diversificar sua produção agrícola e agregar valor ao agronegócio nacional. “Neste momento, o mundo olha para o Brasil. Esse é um valor agregado para nossa economia, então, sim, nós temos que olhar que somos um país produtor de alimento, ter esse apoio e investir em tecnologias para esse setor, porque isso é o que todo país precisa, produção de alimentos de alta qualidade, como aqui no azeite de oliva”, finaliza.
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