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Rússia quer menor uso de pesticidas e pode restringir soja brasileira

Informação foi publicada pelo Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária da Rússia e enviada ao Ministério da Agricultura

Agronegócios|Do R7

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Brasil exportou 1,09 mi de toneladas de soja para a Rússia em 2018
Brasil exportou 1,09 mi de toneladas de soja para a Rússia em 2018

O governo da Rússia informou ao Brasil que poderá adotar restrições temporárias à importação de soja se os produtores brasileiros não reduzirem a quantidade de pesticidas —especialmente herbicidas com o ingrediente glifosato — nos grãos vendidos ao país.

A informação foi publicada pelo Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária da Rússia e enviada ao Ministério da Agricultura brasileiro, que confirmou à Reuters o recebimento do comunicado russo.


Na nota, os russos afirmam que informaram o governo brasileiro sobre a necessidade de tomar medidas urgentes para garantir o cumprimento dos regulamentos técnicos da União Aduaneira sobre a segurança dos grãos em termos de conteúdo de pesticidas nos produtos enviados à Rússia.

A Rússia ainda alertou sobre "possível introdução de restrições temporárias à importação de soja do Brasil em caso de falha do lado brasileiro em adotar medidas corretivas o quanto antes".


A exportação de soja do Brasil para os russos representa uma parcela pequena dos embarques totais do país, que somaram no ano passado um recorde de 83,8 milhões de toneladas, tendo a China como o principal cliente.

Os embarques brasileiros para a Rússia em 2018 somaram 1,09 milhão de toneladas, praticamente estável ante o volume de 2017, de acordo com dados do governo federal.


Em sua nota, os russos destacam o alto grau de toxicidade para humanos e animais do glifosato, um dos pesticidas mais usados na agricultura brasileira. Alguns países europeus, como Suécia e Dinamarca, baniram o uso do produto.

No Brasil, no entanto, o herbicida é defendido como essencial para manter a produção de larga escala da agricultura brasileira.


Em setembro do ano passado, quando uma decisão judicial determinou a suspensão do registro de produtos à base de glifosato --liminar depois derrubada-- o então ministro da Agricultura Blairo Maggi, ele mesmo um empresário do setor, afirmou que seria inviável produzir no Brasil sem o produto. 

A maior parte da soja do Brasil é transgênica, resistente a herbicidas à base de glifosato. Entre as empresas que comercializam a soja resistente ao glifosato está a Bayer, que comprou a norte-americana Monsanto.

Procurada, a Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), que representa exportadores de soja, afirmou não ter sido notificada até o momento sobre qualquer restrição de autoridades russas sobre cargas originadas no país.

"O Brasil exporta produtos de altíssima qualidade do complexo de soja para 170 países. É parceiro em negócios com a Rússia há muitos anos. Caso haja essa notificação, a cadeia produtiva nacional está aberta a tratar de todos os temas relacionados a boas práticas no comércio internacional da soja em grão e seus derivados", disse a Abiove.

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