Alckmin defende Ferrogrão e diz que projeto evita ‘desmatamento’ e ‘aumenta competitividade’
Presidente em exercício, Geraldo Alckmin, disse que o governo vai procurar construir com o STF uma boa solução para a ferrovia
Brasília|Edis Henrique Peres, do R7, em BrasíliaOpens in new window e Kristine Otaviano, RECORD

O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, defendeu nesta quarta-feira (14) a construção da Ferrogrão, ferrovia de cerca de 900 quilômetros que seria usada para escoar grãos do Mato Grosso até o porto de Miritituba, no Pará.
“Eu defendo a Ferrogrão. Sempre defendi. Nós precisamos integrar modais. Eu fiz a BR-163 de carro [e ela] é uma epopeia. Então, na realidade, é fundamental a Ferrogrão e a sua chegada até o porto de Miritituba (PA) e, com hidrovias, já ir pelo Arco Norte [conjunto de portos e rotas de transporte localizados na região Norte do Brasil, com foco na exportação de grãos e outros produtos] para o resto do mundo”, disse.
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Segundo o presidente Alckmin, com a medida “você reduz muito custo, ganha competitividade e renda e ajuda o meio ambiente”. “Você vai trocar o caminhão pela ferrovia. E a ferrovia é uma reta, ela não induz desenvolvimento, não induz ocupação urbana. Ela é um tiro. Então ela é importante do ponto de vista ambiental, evitando o desmatamento, e é importante do ponto de vista de menor emissão [de gás carbônico] e de competitividade”, afirmou.
A Ferrogrão seria uma das estratégias para cumprir a projeção de transformar o modal ferroviário em 40% da matriz de transporte brasileira na próxima década. Atualmente, as ferrovias representam menos de 20% da matriz. A construção está suspensa por decisões judiciais que envolvem questionamentos ambientais, mas já conta com estudo técnico apresentado. O governo agora aguarda um sinal claro para prosseguir com a licitação. Questionado sobre isso, Alckmin disse que o governo federal vai “colaborar para uma boa solução” com o Supremo.
A fala ocorreu durante a abertura do 3º Congresso da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), em Brasília. O evento reuniu cerca de 400 participantes e trouxe como tema “Sustentabilidade e Inovação”, com foco na nova realidade ambiental global, infraestrutura e crédito rural.
Durante o discurso, Alckmin também anunciou a abertura do mercado chinês ao DDG brasileiro, farelo resultante da produção de etanol de milho, e informou que o governo está prestes a lançar o “IPI Verde”, com redução de impostos para veículos sustentáveis.
“O DDG é uma conquista importante. É um insumo valioso, que ajuda na mitigação dos riscos climáticos e expande nossa pauta exportadora”, afirmou o presidente em exercício.
“Vamos incluir a ampliação da armazenagem na nossa pauta estratégica. O produtor precisa ter estrutura para estocar e comercializar com segurança”, completou.
Alckmin também defendeu o fortalecimento do seguro rural como medida essencial para lidar com os efeitos das mudanças climáticas. “Não é gasto, é investimento. Com as mudanças climáticas, é uma ferramenta essencial de proteção ao produtor”, pontuou.
CNA reforça importância da Ferrogrão e do Plano Safra
O vice-presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), José Mário Schreiner, também falou durante o evento e destacou a importância da Ferrogrão como obra de impacto nacional.
“A Ferrogrão é extremamente importante para a logística do nosso setor agropecuário e para o país como um todo. Acreditamos que com diálogo entre os poderes e articulação institucional, será possível avançar com essa pauta estratégica”, afirmou.
Schreiner também reforçou a necessidade de um Plano Safra robusto, com atenção especial aos pequenos e médios produtores.
“Tivemos uma quebra de safra no ano passado e este ano, apesar da produção positiva, os preços estão baixos. O produtor, principalmente o familiar, precisa de apoio para continuar investindo em tecnologia e garantir boa produtividade”, explicou.
“O seguro rural também é fundamental. Precisamos avançar para que o produtor veja o seguro como parte da gestão, e não apenas como um custo”, concluiu.
O 3º Congresso da Abramilho contou com painéis sobre inflação de alimentos, exigências ambientais internacionais, inovação tecnológica no campo e reciprocidade comercial. Também participaram representantes da XP Investimentos, Embrapa, FGV, Bayer, Senar e da Frente Parlamentar da Agropecuária.
Integração de modais
Além da Ferrogrão, o Brasil avalia, desde 2014, a criação de uma ferrovia bioceânica para ligar o oceano Atlântico ao Pacífico, em uma rota que atravessa o Brasil e alcança o Peru. A estratégia diminuiria em cerca de 10 mil quilômetros a distância percorrida entre Brasil e China, segundo informações divulgadas pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
Uma década depois, no entanto, o acordo discutido em 2014 não saiu do papel. Agora, o tema voltou a debate, mas com oportunidades reais de ser finalizado, segundo o secretário Nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Cezar Ribeiro. De acordo com ele, uma estratégia de integração multimodal, utilizando hidrovias, rodovias e ferrovias, pode acelerar a criação desta rota.
A Ferrovia Bioceânica pretende interligar Ilhéus (BA) ao porto de Chancay, no Peru, com trajeto passando por regiões-chave do agronegócio brasileiro, incluindo o Matopiba, a área de fronteira entre os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
Nesta semana, durante agenda em Pequim, na China, o presidente Lula defendeu a iniciativa, tanto em fórum com empresários, como em discurso após reunião bilateral com o presidente chinês, Xi Jinping.
“Na área de infraestrutura são inúmeras as oportunidades de cooperação em projetos em torno do desenvolvimento. O corredor ferroviário leste-oeste, que vai interligar o Brasil, será o empreendimento fundamental para a logística brasileira e um dos mais transformadores projetos para a garantia da segurança alimentar do mundo”, avaliou.
Lula disse que “conectar o oceano Atlântico ao Pacífico por meio de cinco rotas de integração, facilitará o intercâmbio comercial e levará mais desenvolvimento para o interior do continente americano”.
“A rota bioceânica encurtará a distância entre Brasil e China em aproximadamente 10 mil quilômetros. As rotas são mais do que corredores de exportação entre Atlântico e Pacífico, são vetores de indução do desenvolvimento”, defendeu o presidente.
Lula também citou, como exemplo da boa relação entre China e Brasil, a nova rota marítima ligando o Porto de Gaolan, em Zhuhai, aos portos de Santana e Salvador, “inaugurada no mês passado [abril], eles são uma conquista adicional para a região norte e região nordeste brasileira”.
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