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Alcolumbre pode segurar CPI do Master apesar de pressão após conversas entre Flávio e Vorcaro

Senadores avaliam que a decisão final depende menos da pressão nas redes e mais do cálculo político do presidente do Senado

Brasília|Armando Holanda, do R7, em BrasíliaOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A instalação da CPI do Banco Master ganhou suporte após áudios que relacionam Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro.
  • Senadores afirmam que a decisão de Davi Alcolumbre, presidente do Senado, será influenciada por cálculos políticos, não apenas pela pressão pública.
  • Parlamentares da Câmara também buscam criar uma CPMI para investigar o caso, que envolve temas como lavagem de dinheiro e abuso de poder econômico.
  • Flávio Bolsonaro admitiu buscar financiamento para um filme sobre seu pai, mas nega qualquer favorecimento a Vorcaro.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Flávio pediu dinheiro a Vorcaro para custear filme de Jair Bolsonaro Adriano Machado/Reuters - 15.05.2026

A possibilidade de instalação da CPI do Banco Master ganhou força política após a repercussão dos áudios que associam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, mas, nos bastidores do Congresso Nacional, parlamentares avaliam que a pressão ainda pode não ser suficiente para tirar a comissão do papel.

Senadores avaliam que a decisão final depende menos da pressão nas redes e mais do cálculo político do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Nos corredores da Casa, a percepção é que Alcolumbre dificilmente tomará uma decisão apenas sob efeito do noticiário ou da mobilização digital.

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Tanto membros do governo quanto da oposição, incluindo o próprio Flávio, passaram a usar o episódio como argumento para defender uma investigação mais ampla sobre relações políticas, operações financeiras e possíveis conexões empresariais ligadas ao Master.

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A leitura predominante entre integrantes do Senado é que o caso ampliou o desgaste político em torno dos tentáculos de Vorcaro com parlamentares e aumentou o constrangimento para setores que vinham tentando esfriar o tema.

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Contudo, segundo apurou o R7, parlamentares próximos à cúpula do Senado afirmam que Alcolumbre tende a agir de maneira pragmática, observando o impacto institucional da CPI sobre diferentes grupos políticos e econômicos antes de autorizar qualquer avanço.

Além disso, a avaliação é que, embora o discurso público de investigação tenha ganhado intensidade, ainda existe resistência entre lideranças partidárias preocupadas com os desdobramentos da comissão.

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Interlocutores lembram que CPIs costumam ser usadas também como instrumento de pressão política e negociação. Por isso, mesmo com o aumento das cobranças após o caso envolvendo Flávio, há quem considere que o tema pode permanecer restrito ao campo discursivo caso não haja um alinhamento mais amplo entre líderes partidários e a presidência do Senado.

A avaliação de integrantes dos dois espectros políticos é que a repercussão dos áudios tornou mais difícil para o Senado ignorar completamente o assunto.

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Ainda assim, o cenário mais provável, segundo aliados e adversários do governo, é de uma tramitação lenta, marcada por disputas políticas e tentativas de controlar o alcance de uma eventual investigação.

Pedidos de comissão mista

Os pedidos para a criação de uma comissão de inquérito sobre o Master se estenderam também para a Câmara. Nos últimos dias, parlamentares passaram a defender a criação de uma CPMI, com a participação de deputados e senadores.

O deputado Rogério Correia (PT-MG) começou a recolher assinaturas para criar um colegiado misto.

“Estou recolhendo assinaturas para criar a CPMI do ‘Dark Horse’, mais um possível cavalo de Troia do bolsonarismo. Não dá para tratar como simples filme o que pode esconder lavagem de dinheiro, propaganda eleitoral disfarçada e abuso de poder econômico. O Brasil precisa saber quem financia essa engrenagem da extrema-direita. Vamos investigar até o fim.”

Uma iniciativa semelhante tem sido liderada pelo senador Carlos Viana (PSD-MG). Segundo ele, entre os que já assinaram o requerimento para a criação da CPMI do Banco Master estão Flávio e o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN).

“Agora é hora de cada parlamentar mostrar de que lado está. Vamos ver quem defende investigação de verdade e quem prefere blindagem e silêncio. Quem não deve, não teme CPMI.”

Conversas entre Flávio e Vorcaro

Na última quarta-feira (13), áudios que constam em conversas de Flávio com Vorcaro vieram à tona. O R7 obteve acesso a uma das mensagens de voz, na qual Flávio revela uma certa intimidade com o empresário ao chamá-lo de “irmão”.

Na gravação, Flávio cobra dinheiro de Vorcaro para a produção do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ao longo do áudio, ele relata preocupação com o andamento do projeto e com possíveis impactos caso compromissos financeiros não sejam cumpridos.

“E, apesar de você ter dado a liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando”, afirma Flávio, ao comentar os atrasos.

O senador também cita o risco de prejuízos à produção, mencionando a possibilidade de perda de profissionais envolvidos no filme.

“Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel [ator que interpreta Bolsonaro], num Cyrus [Nowrasteh, diretor do filme], uns caras, pô, renomadíssimos lá no cinema americano”, diz. Ele acrescenta que um eventual problema financeiro poderia comprometer toda a estrutura do projeto: “Perde ator, perde diretor, perde equipe, perde tudo”.

Em nota divulgada à imprensa, o senador admitiu que foi atrás de Vorcaro em busca de financiamento para o filme sobre o pai, mas negou qualquer tipo de favorecimento político ou relação de “camaradagem” com o banqueiro.

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