Alcolumbre pode segurar CPI do Master apesar de pressão após conversas entre Flávio e Vorcaro
Senadores avaliam que a decisão final depende menos da pressão nas redes e mais do cálculo político do presidente do Senado
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A possibilidade de instalação da CPI do Banco Master ganhou força política após a repercussão dos áudios que associam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, mas, nos bastidores do Congresso Nacional, parlamentares avaliam que a pressão ainda pode não ser suficiente para tirar a comissão do papel.
Senadores avaliam que a decisão final depende menos da pressão nas redes e mais do cálculo político do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Nos corredores da Casa, a percepção é que Alcolumbre dificilmente tomará uma decisão apenas sob efeito do noticiário ou da mobilização digital.
Tanto membros do governo quanto da oposição, incluindo o próprio Flávio, passaram a usar o episódio como argumento para defender uma investigação mais ampla sobre relações políticas, operações financeiras e possíveis conexões empresariais ligadas ao Master.
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A leitura predominante entre integrantes do Senado é que o caso ampliou o desgaste político em torno dos tentáculos de Vorcaro com parlamentares e aumentou o constrangimento para setores que vinham tentando esfriar o tema.
Contudo, segundo apurou o R7, parlamentares próximos à cúpula do Senado afirmam que Alcolumbre tende a agir de maneira pragmática, observando o impacto institucional da CPI sobre diferentes grupos políticos e econômicos antes de autorizar qualquer avanço.
Além disso, a avaliação é que, embora o discurso público de investigação tenha ganhado intensidade, ainda existe resistência entre lideranças partidárias preocupadas com os desdobramentos da comissão.
Interlocutores lembram que CPIs costumam ser usadas também como instrumento de pressão política e negociação. Por isso, mesmo com o aumento das cobranças após o caso envolvendo Flávio, há quem considere que o tema pode permanecer restrito ao campo discursivo caso não haja um alinhamento mais amplo entre líderes partidários e a presidência do Senado.
A avaliação de integrantes dos dois espectros políticos é que a repercussão dos áudios tornou mais difícil para o Senado ignorar completamente o assunto.
Ainda assim, o cenário mais provável, segundo aliados e adversários do governo, é de uma tramitação lenta, marcada por disputas políticas e tentativas de controlar o alcance de uma eventual investigação.
Pedidos de comissão mista
Os pedidos para a criação de uma comissão de inquérito sobre o Master se estenderam também para a Câmara. Nos últimos dias, parlamentares passaram a defender a criação de uma CPMI, com a participação de deputados e senadores.
O deputado Rogério Correia (PT-MG) começou a recolher assinaturas para criar um colegiado misto.
“Estou recolhendo assinaturas para criar a CPMI do ‘Dark Horse’, mais um possível cavalo de Troia do bolsonarismo. Não dá para tratar como simples filme o que pode esconder lavagem de dinheiro, propaganda eleitoral disfarçada e abuso de poder econômico. O Brasil precisa saber quem financia essa engrenagem da extrema-direita. Vamos investigar até o fim.”
Uma iniciativa semelhante tem sido liderada pelo senador Carlos Viana (PSD-MG). Segundo ele, entre os que já assinaram o requerimento para a criação da CPMI do Banco Master estão Flávio e o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN).
“Agora é hora de cada parlamentar mostrar de que lado está. Vamos ver quem defende investigação de verdade e quem prefere blindagem e silêncio. Quem não deve, não teme CPMI.”
Conversas entre Flávio e Vorcaro
Na última quarta-feira (13), áudios que constam em conversas de Flávio com Vorcaro vieram à tona. O R7 obteve acesso a uma das mensagens de voz, na qual Flávio revela uma certa intimidade com o empresário ao chamá-lo de “irmão”.
Na gravação, Flávio cobra dinheiro de Vorcaro para a produção do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ao longo do áudio, ele relata preocupação com o andamento do projeto e com possíveis impactos caso compromissos financeiros não sejam cumpridos.
“E, apesar de você ter dado a liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando”, afirma Flávio, ao comentar os atrasos.
O senador também cita o risco de prejuízos à produção, mencionando a possibilidade de perda de profissionais envolvidos no filme.
“Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel [ator que interpreta Bolsonaro], num Cyrus [Nowrasteh, diretor do filme], uns caras, pô, renomadíssimos lá no cinema americano”, diz. Ele acrescenta que um eventual problema financeiro poderia comprometer toda a estrutura do projeto: “Perde ator, perde diretor, perde equipe, perde tudo”.
Em nota divulgada à imprensa, o senador admitiu que foi atrás de Vorcaro em busca de financiamento para o filme sobre o pai, mas negou qualquer tipo de favorecimento político ou relação de “camaradagem” com o banqueiro.
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