Anderson Torres chega a Brasília neste sábado; STF ordenou prisão de ex-ministro
Ao deixar ministério, ele foi nomeado secretário de Segurança do DF; Torres viajou para os EUA um dia antes dos atos de vandalismo
Brasília|Do R7, em Brasília

O ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal Anderson Torres deve desembarcar no aeroporto de Brasília por volta das 6h30 deste sábado (13), vindo dos Estados Unidos. Torres teve a prisão decretada pelo Supremo Tribunal Federal por omissão nos atos de vandalismo que terminaram com a depredação das sedes dos três poderes da República, em Brasília, no último dia 8.
Ex-ministro da Justiça do presidente Jair Bolsonaro, Torres havia sido nomeado secretário de Segurança pelo governador do DF, Ibaneis Rocha, no último dia 5. Dois dias depois, na véspera dos ataques aos prédios dos três poderes, viajou para a Flórida, nos Estados Unidos, de férias. No mesmo dia dos ataques, Ibaneis anunciou a exoneração dele, publicada no dia 9 no Diário Oficial do DF.
Vídeos que começaram a circular nas redes sociais no final da noite dessa sexta-feira (13) mostravam o ex-secretário escoltado por policiais americanos no Aeroporto de Miami, embarcando para o Brasil.
Ibaneis afirmou ao R7 que Torres embarcou antes das férias e sem avisá-lo. Oficialmente, contudo, as férias do ex-secretário começariam apenas na segunda-feira (9).
As cenas de vandalismo levaram à intervenção do governo federal na área de segurança pública do DF e ao afastamento do governador do cargo por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O interventor federal no DF, Ricardo Cappelli, também havia dito que o ex-secretário não estava oficialmente autorizado a se ausentar. O ministro da Justiça, Flávio Dino, afirmou que pediria a extradição de Torres caso ele não voltasse ao Brasil até segunda-feira (16) (veja vídeo abaixo).
Na última terça (12), Anderson Torres afirmou que voltaria ao Brasil para se apresentar à Justiça e cuidar da sua defesa (confira abaixo a publicação nas redes sociais).
Decreto para mudar as eleições
Apontado por omissão que teria facilitado a ação dos vândalos, o ex-ministro terá ainda de se explicar sobre uma minuta (espécie de rascunho) de um decreto encontrado pela Polícia Federal na casa dele na quinta-feira (12) que tentaria mudar o resultado das eleições presidenciais de 2022.
O documento estava foi encontrado durante operação de busca e apreensão determinada pelo STF na casa do ex-secretário e ex-ministro (veja abaixo a íntegra da minuta):

O secretário alegou que o documento estava em uma pilha de papéis que ele pretendia triturar no Ministério da Justiça e que a revelação da minuta foi feita "fora de contexto".
Depredação em Brasília
Cerca de 1.500 extremistas foram presos no DF por participação nos atos de depredação no Congresso, no Palácio do Planalto e no STF. De acordo com o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência, Paulo Pimenta, a Polícia Federal havia lavrado 1.261 autos de prisão e apreensão em decorrência da invasão.
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A Secretaria de Administração Penitenciária do DF (Seape) divulgou nessa quarta-feira (11) que 1.028 extremistas foram transferidos para presídios. Entre os detidos, estavam 637 homens e 391 mulheres, que foram levados, respectivamente, para o Complexo Penitenciário da Papuda e para a penitenciária feminina de Brasília, conhecida como Colmeia.
Os ataques deixaram prejuízos que ainda estão sendo contabilizados. Apenas no Senado, o custo estimado para reparar obras de arte, móveis, equipamentos e sistemas de infraestrutura passam de R$ 3,5 milhões.





















