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Após Copa, tempo curto de campanha altera dinâmica eleitoral, avaliam especialistas

Propagandas gratuitas em rádio e TV, que serão veiculadas a partir de 16 de agosto, marcam ‘mudança de chave’ no eleitorado

Brasília|Débora Sobreira*, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Propagandas eleitorais em rádio e TV começam em 16 de agosto, após a Copa do Mundo, que teve 48 seleções e durou 39 dias.
  • Estudos mostram que 40% da população evita informações políticas, mas menções a candidatos aumentam entre agosto e outubro.
  • Especialistas afirmam que o interesse eleitoral cresce com o início das propagandas e debates, apesar do calendário esportivo.
  • A Minirreforma Eleitoral de 2016 reduziu o tempo de campanha, afetando a profundidade dos debates políticos no Brasil.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Copa do Mundo 2026 teve duração de 39 dias e contou com a participação de 48 seleções Paulo Pinto/Agência Brasil - Arquivo

O início das propagandas eleitorais gratuitas em rádio e TV está marcado para 16 de agosto, data em que as candidaturas finalmente devem contar com a atenção plena do eleitorado após um período em que o foco dos brasileiros estava dividido com outros eventos de caráter global, em especial a Copa do Mundo. O evento teve, em 2026, a maior versão de sua história, com 48 seleções participantes e duração de 39 dias.

Levantamentos internos conduzidos pelos principais partidos políticos do país reforçam a dificuldade de fisgar o eleitor no período de pré-campanha. Um desses estudos indica que cerca de 40% da população evita consumir informações sobre política. O levantamento mostra ainda que o volume de menções aos candidatos nas redes sociais dispara entre agosto e a reta final das campanhas, em outubro.


Para especialistas ouvidos pelo R7, esse “limbo” entre o fim da Copa e o início das propagandas em rádio e TV reconfigura a posição dos eleitores até o início da campanha. O professor de Ciência Política da UniProcessus Gustavo Javier Castro acredita que, quando divide as atenções com outros eventos, a agenda política tem sua visibilidade reduzida.

“Isso não significa que o eleitor deixe de ter preferências ou convicções, mas que o debate eleitoral perde protagonismo durante esse período. A consequência é um adiamento da discussão sobre candidaturas, propostas e alianças, que ganha força apenas quando o calendário esportivo termina”, explica o pesquisador.


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Dinâmica própria do comportamento eleitoral

Gustavo Castro avalia que o interesse do eleitor se amplia alguns meses antes da votação, no que ele entende como o período de maior exposição dos candidatos: o início dos debates e da propaganda eleitoral.

“Existe um grupo mais politizado que acompanha o processo desde cedo, mas a maior parte da população passa a dedicar atenção ao pleito quando percebe que a eleição terá impacto imediato em sua vida e quando o noticiário passa a priorizar o tema”, ressalta.


A consultora de análise política Raquel Alves, por outro lado, não acredita no impacto direto da Copa do Mundo em um possível “atraso” do debate eleitoral pelas ruas. Para ela, o interesse segue o fluxo natural do calendário do segundo semestre.

“A partir desse período, começam as convenções partidárias e a mídia tradicional concentra a exposição do processo nos meios de comunicação. Contudo, o despertar mesmo é quando começa a campanha, na hora da propaganda eleitoral em rádio e TV, com os debates e comícios”, argumenta.


Campanha reduzida

Outro fator que posterga o início das discussões sobre a corrida eleitoral é o tempo mais curto da campanha eleitoral, resultado de uma lei sancionada em 2016. À época do governo de Michel Temer (MDB), o Congresso aprovou a Minirreforma Eleitoral, que reduziu o tempo de campanha de 90 para 45 dias, e a propaganda em rádio e TV de 45 para 35 dias.

Na visão da consultora Raquel Alves, mesmo antes da reforma, o interesse do eleitor aparecia somente após a Copa e com o recesso parlamentar — que ocorrem frequentemente na mesma época do ano.

“O principal efeito que vejo é o debate superficial de agendas importantíssimas ou mesmo a ausência de debates sobre agendas essenciais, sobretudo em um ambiente tão polarizado como o brasileiro. A eleição curta e com interesse tardio do eleitor mantém o debate no ‘FlaXFlu’ de rejeição de nomes e não de escolha de programas de governo e planos de ação de longo prazo”, pontua.

No caso dos candidatos, o planejamento interno e de articulações partidárias se desenha com base nesse cálculo de atenção, como define Gustavo Castro: “Assim, a disputa se torna mais concentrada e dinâmica na reta final, quando o interesse público e a exposição dos candidatos atingem seu ponto mais alto”.

*Estagiária do R7, sob supervisão de Augusto Fernandes, editor-chefe.

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