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Após três anos em queda, Brasil melhora classificação em índice de combate à corrupção

País ficou em oitavo lugar no ranking, com 4,83 pontos; resultado foi atribuído a tensões políticas e à mudança de governo

Brasília|Giselle Santos, do R7, em Brasília

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Índice mede combate à corrupção na América Latina
Índice mede combate à corrupção na América Latina

O Brasil melhorou sua classificação após três anos de queda no Índice de Capacidade de Combate à Corrupção (ICC) 2023, que mede a aptidão dos países latino-americanos de detectar, punir e prevenir a prática. Dentre as 15 nações avaliadas, o Brasil subiu duas posições no ranking em comparação com o ano passado, ficando em 8º lugar, com 4,83 pontos.

De acordo com o relatório, a pontuação brasileira melhorou em categorias que medem a democracia e instituições políticas, além da independência e eficiência de agências de combate à corrupção e do Judiciário. O índice atribui os resultados ao fim de tensões políticas e à mudança de governo.


Relatório mostra que Brasil melhorou mas aponta pontos de podem indicar queda na classificação
Relatório mostra que Brasil melhorou mas aponta pontos de podem indicar queda na classificação

“As tentativas do ex-presidente Jair Bolsonaro de influenciar politicamente investigações afetaram os esforços anticorrupção do país nos últimos anos. É provável que esses órgãos de supervisão recuperem alguma autonomia no governo atual”, justifica o documento.

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O estudo alerta, no entanto, que possíveis mudanças na lei que regula as nomeações políticas em empresas estatais e a “intenção declarada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não escolher o próximo procurador-geral de uma lista a ser apresentada pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), uma tradição que Bolsonaro também não seguiu, podem impactar os avanços feitos pelo país no combate à corrupção.”


Em 2019, Bolsonaro decidiu não levar a lista da ANPR em consideração ao indicar Augusto Aras ao cargo, reconduzindo-o à PGR em 2021. Na época, o então presidente foi criticado por aliados de Lula por desrespeitar a autonomia institucional do órgão. Agora, é Lula quem sinaliza ter mudado sua visão sobre a lista tríplice, apesar de ter seguido as sugestões da associação em seus dois primeiros mandatos.

Retrocessos

Apesar do avanço no combate à corrupção, o Brasil regrediu em alguns pontos analisados no ICC 2023, entre eles a qualidade dos processos legislativos e normativos. “Embora o Supremo Tribunal Federal tenha declarado inconstitucional a prática opaca do orçamento secreto, as negociações entre os poderes Executivo e Legislativo permanecem condicionadas ao fisiologismo”, diz o texto.


O documento aponta ainda um declínio na categoria sociedade civil e mídia, uma vez que o debate sobre corrupção ficou em segundo plano, frente a preocupações como a legitimidade do processo eleitoral após o pleito de 2022 e os atos extremistas que culminaram na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes em Brasília, em 8 de janeiro.

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Sobre o ICC

Publicado em conjunto pela Americas Society/Council of the Americas e a Control Risks, o estudo classifica países com base na eficácia com que podem combater a corrupção, analisando fatores como a independência das instituições jurídicas, o nível de recursos disponíveis na investigação de crimes de colarinho branco e a qualidade do jornalismo investigativo, dentre outros.

Os países com pontuação mais alta são considerados mais propensos a ver agentes de corrupção processados e punidos. No topo da lista deste ano está o Uruguai, com 6,99 pontos de um total de 10. Já a continuação da impunidade é mais provável em países com menos pontos. O país com a pior avaliação no índice é a Venezuela (1,46), em seu quinto ano consecutivo com a pontuação mais baixa da América Latina.

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