Brasil contesta acusações dos EUA para propor taxa de 25% e aponta falta de fundamento legal
Em carta assinada pelo ministro das Relações Exteriores, governo federal diz que medida pode encarecer custos aos norte-americanos
Brasília|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília
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O Itamaraty enviou uma resposta aos Estados Unidos sobre as conclusões divulgadas pelo escritório de representação comercial do país norte-americano (USTR, na sigla em inglês) quanto às supostas “práticas desleais” adotadas pelo Brasil.
O entendimento do escritório levou o governo de Donald Trump a propor tarifas punitivas às importações brasileiras, em um novo “tarifaço”. No documento, o Ministério das Relações Exteriores contesta as investigações dos EUA e alega que as acusações não incluem evidências.
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Ao pedir para que a tarifa de 25% não seja aplicada ao Brasil, o governo federal aponta que — além de não contar com um fundamento legal — a medida vai encarecer os custos aos Estados Unidos, sem contribuir para solução dos supostos problemas apontados.
“O USTR não estabelece, contudo, o nexo legal exigido entre um ato, política ou prática concreta do Brasil e um ônus ou restrição identificável ao comércio dos EUA. Em vez disso, a análise salta da discordância em relação às escolhas soberanas do Brasil para conclusões de que tais escolhas são ‘irrazoáveis’“, escreveu na carta o chanceler Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores.
Para ele, as informações apresentadas pelos Estados Unidos para justificar o tarifaço representam “afirmações generalizadas de desvantagem comercial para conclusão de que o comércio dos EUA tem sido onerado ou restringido”. “Isso é insuficiente para justificar uma ação nos termos da Seção 301″, completou.
Entenda a polêmica
Em junho, os Estados Unidos divulgaram que pretendem propor, como forma de punição, uma tarifa de 25% sobre produtos importados do Brasil. O motivo seria a adoção de práticas de comércio “desleais” no comércio digital e o desmatamento ilegal.
O USTR ainda justificou que algumas iniciativas e políticas adotadas no Brasil seriam “irracionais”, sob o argumento de que elas sobrecarregam e restringem o comércio daquele país.
Para sustentar as acusações, o governo dos EUA se baseou na Seção 301 da legislação do país norte-americano, que prevê a adoção de retaliações comerciais como instrumento unilateral de pressão para a abertura de mercados a exportações e investimentos do governo estadunidense.
Pix
Um dos mecanismos criticados pelo governo de Donald Trump está o Pix, sistema que seria “favorecido pelo Banco Central” do Brasil — o que prejudicaria empresas internacionais, como as operadoras de cartões Visa e Master.
Ao rebater essas acusações, o governo brasileiro lembrou que o Pix é uma infraestrutura pública, de acesso aberto e que atua sem discriminação. Além disso, a ferramenta foi projetada para promover a concorrência, reduzir custos de transação e expandir a inclusão financeira, segundo o governo brasileiro, o que beneficia todo o ecossistema de pagamentos, não só empresas nacionais.
O Itamaraty também lembrou que a imposição de um novo tarifaço violaria normas multilaterais, como os acordos da OMC (Organização Mundial do Comércio), e geraria um risco ao superávit comercial dos EUA.
Para o Ministério das Relações Anteriores, as supostas práticas irregulares mencionadas pelos Estados Unidos deveriam ser sanadas por meios mais específicos.
“[...] As empresas dos EUA e outras estrangeiras têm operado com sucesso no ecossistema do Pix, inclusive por meio de serviços de iniciação de pagamento. [...] O Brasil apontou, por exemplo, que o Google Pay Brasil era o maior iniciador de pagamentos à época e que a Visa também havia obtido autorização para operar no ecossistema do Pix”, lembrou o chanceler.
Por fim, o ministro Mauro Vieira enfatizou que esses e outros fatos contradizem “diretamente a sugestão de que o Pix opera como um ‘campeão nacional’ de sistema fechado, do qual empresas dos EUA são excluídas ou ao qual elas estariam sujeitas sob condições discriminatórias”.
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