Cade vai abrir processo para investigar Google por uso de conteúdo jornalístico feito por IA
Tribunal acredita que a utilização de inteligência artificial exige constante apuração sobre possível ‘abuso’ no mercado digital
Brasília|Luiza Marinho*, do R7, em Brasília
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O plenário do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) decidiu por unanimidade, nesta quinta-feira (23), abrir uma investigação contra o Google sobre o uso de inteligência artificial em conteúdo jornalístico em suas plataformas.
A corte aprovou a tese do presidente interino, Diogo Thomson de Andrade, que recomenda a instauração de um processo administrativo para apurar possível “abuso exploratório de posição dominante”.
Com a decisão, o caso retorna à Superintendência-Geral da autarquia para a condução do inquérito, que deverá considerar as transformações tecnológicas ocorridas desde o início das apurações, em 2019.
Mudanças de mercado
O processo voltou à pauta após o pedido de vista da conselheira Camila Cabral Pires-Alves, que, ao concordar com Thomson, defendeu o aprofundamento da análise econômica sobre a relação entre plataformas digitais e produtores de conteúdo.
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No voto que prevaleceu, Diogo Thomson destacou que o cenário tecnológico mudou de forma significativa desde 2019. Na época, a conduta investigada envolvia a exibição de trechos de notícias (snippets) nos resultados de busca.
Segundo ele, a incorporação de ferramentas de inteligência artificial generativa — capazes de sintetizar informações diretamente na interface — altera a dinâmica de acesso e monetização do conteúdo jornalístico.
Dependência das plataformas
Ao acompanhar o voto de Thomson, a conselheira Camila Cabral defendeu uma investigação mais robusta e baseada em evidências detalhadas.
“O tema enfrentado nestes autos recomenda cautela, justamente porque envolve ambiente de rápida transformação tecnológica, forte assimetria informacional e baixa observabilidade externa sobre os mecanismos pelos quais a plataforma organiza a busca, distribui atenção, coleta dados, monetiza tráfego e reutiliza conteúdo produzido por terceiros”, afirmou.
Os conselheiros também apontam que esse novo contexto pode reforçar uma relação de dependência estrutural entre veículos de imprensa e a plataforma, já que grande parte do tráfego dos publishers depende dos mecanismos de busca.
Ampliação da análise
Com a decisão, a Superintendência-Geral do Cade deverá ampliar a coleta de dados e analisar métricas mais específicas, como impressões, cliques, CTR (taxa de cliques), zero-click (buscas sem clique), tempo de permanência e tráfego direcionado.
O novo processo administrativo poderá resultar, ao final, na aplicação de sanções caso seja comprovada infração à ordem econômica.
*Estagiária do R7, sob supervisão de Letícia de Souza, editora de texto.
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