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Zema diz que votar em Flávio Bolsonaro é entregar reeleição a Lula; Caiado defende união

Enquanto o mineiro afirma que ligação do senador com Daniel Vorcaro beneficia o PT, goiano declara que não faz ‘pré-julgamento’

Brasília|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Romeu Zema critica Flávio Bolsonaro, associando seu envolvimento com o Banco Master à chance de reeleição de Lula.
  • Zema afirma que um candidato da direita sem ligações com o escândalo teria mais chances contra Lula.
  • Ronaldo Caiado defende a união da centro-direita contra o PT e evita críticas diretas a Flávio Bolsonaro.
  • Zema e Caiado criticam o STF, propondo reformas e mudanças no processo de indicação dos ministros.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Zema ressalta que, apesar de morar na mesma cidade de Vocaro, nunca se reuniu com o banqueiro Marcelo Camargo/Agência Brasil - Arquivo

O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência pelo Partido Novo, Romeu Zema, disse que o escândalo do Banco Master tornou o cenário eleitoral mais difícil para a direita. Ele também afirmou que quem votar em Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para presidente “muito provavelmente” estará dando mais quatro anos de mandato a Lula (PT).

“Se, em 2022, já foi difícil para a direita, com esse escândalo agora [do Banco Master], fica muito mais ainda. Porque, em 2022, nós não tivemos nada que se assemelhasse a isso. Eu fico muito preocupado que nós estejamos entregando para a esquerda, mais uma vez, essa eleição. E essas últimas pesquisas demonstraram que quem está votando no Flávio [Bolsonaro], muito provavelmente vai estar entregando a eleição para o Lula”, declarou Zema, que participou nesta segunda-feira (25) de um encontro promovido pela Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil) em São Paulo.


Na última pesquisa Datafolha, divulgada na sexta-feira (22), Lula apareceu com 47% das intenções de voto no segundo turno contra 43% do senador. Na rodada anterior, feita uma semana antes, os dois estavam com 45%. Ou seja, após as revelações envolvendo a produção do filme Dark Horse, Lula oscilou para cima e Flávio, para baixo.

Impacto da rejeição

O entorno de Zema entende que um candidato da direita com menos rejeição e sem associação ao Master teria mais chances de derrotar o petista no segundo turno. No Datafolha, Flávio Bolsonaro tem 46% de rejeição, contra 45% de Lula.


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No evento desta segunda, Zema manteve a linha adotada nos últimos dias, que surpreendeu até integrantes de sua própria campanha, e voltou a fazer críticas duras a Flávio Bolsonaro, de quem era aliado antes da revelação dos áudios.

O pré-candidato do Novo salientou que, apesar de morar na mesma cidade de Daniel Vocaro, a quem chamou repetidamente de “banqueiro bandido”, nunca se reuniu com ele nem recebeu pedidos de encontro.


“Assombração sabe para quem ela vai aparecer e bater na porta”, repetiu o pré-candidato do Novo, numa referência ao adversário. “Para mim, quem se aproximou do banqueiro bandido é um mau sinal. Gambá cheira gambá. Eu sempre escutei isso no interior. E não acredito também quando você acredita que parentes são a solução do seu problema. Eu gosto é de gente competente, e não de falar ‘é parente que resolve’. Quando é companheirada, parentada, a coisa fica difícil de resolver”, declarou.

Apoio no segundo turno

Apesar das críticas à aproximação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro, Zema afirmou que manterá o apoio ao senador em um eventual segundo turno contra o PT e também disse estar aberto ao diálogo com o filho de Jair Bolsonaro (PL).


Zema contou que Flávio tentou procurá-lo após as revelações do site Intercept Brasil, mas que houve um desencontro e os dois acabaram não conversando. “Abertura ao diálogo sempre vai existir. Eu só não concordo é com alguém que se aproxime de criminoso. Isso eu vou abominar sempre, nunca vou concordar. Gente que fica lado a lado com criminoso, para mim, é alguém que eu vejo com muita reserva.”

O mineiro ainda minimizou a doação do pai de Vorcaro ao Partido Novo em 2022. “Há quatro anos atrás, alguém tinha ouvido falar de escândalo do Banco Master? Isso só aflorou no ano passado. Ele doou, como milhares de outras pessoas doaram para o Partido Novo”, respondeu.

União da direita

Enquanto Zema condenou a aproximação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro, Ronaldo Caiado, pré-candidato à Presidência da República pelo PSD, evitou endurecer o tom contra o senador. No mesmo evento promovido pela Amcham, ele afirmou, nesta segunda-feira, não ser “oportunista” e defendeu a união da centro-direita contra o PT.

“Não sou oportunista, não farei pré-julgamento. Mas o mais importante no Brasil, neste momento, é nós também não fazermos o jogo que o PT quer. Mantermos a centro-direita unida, consolidada, para derrotarmos o PT no segundo turno. Este é o objetivo”, declarou Caiado em entrevista coletiva, acrescentando que o candidato da oposição que for para o segundo turno, deverá receber o apoio dos demais para derrotar o PT.

‘Estatura moral’

Caiado também reforçou que há uma “desordem institucional” no país e que a governabilidade do Executivo “vai depender da estatura moral do próximo presidente da República”.

Questionado se Flávio Bolsonaro tem estatura moral para cumprir a função, o pré-candidato pelo PSD respondeu que “essa decisão virá do eleitor”. Ele voltou a dizer que, até o momento, os argumentos usados pelo senador para explicar suas conversas com Vorcaro “não foram convincentes”.

Críticas ao STF

Tanto Caiado quanto Zema dedicaram parte de seus discursos a criticar o STF (Supremo Tribunal Federal). O goiano defendeu que a Corte tome uma decisão interna para afastar ministros atingidos por denúncias relacionadas à própria trajetória.

“Para que possamos desenvolver, avançar, o Supremo deveria ter essa condição de cortar na própria carne. Pouparia o país de um processo de crise”, argumentou.

Zema, por sua vez, propôs estabelecer idade mínima de 60 anos para ministros, acabar com decisões monocráticas para temas relevantes e mudar o critério de indicação dos integrantes da Corte, adotando uma lista tríplice com nomes sugeridos por instituições.

“O Supremo sempre foi um porto seguro, um poder moderador no Brasil no passado, mas, de uns 15 anos para cá, virou um incendiário”, opinou.

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