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CPIs sobre PCC, Comando Vermelho e milícias avançam no Senado e na Câmara

Proposta mais avançada é a do senador Alessandro Vieira; segundo ele, o requerimento já tem as 27 assinaturas necessárias

Brasília|Do Estadão Conteúdo

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Senado e Câmara poderão instalar as CPIs em breve
Senado e Câmara poderão instalar as CPIs em breve Jonas Pereira/Agência Senado - 3.2.2025

O Senado e a Câmara poderão instalar em breve CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) para investigar facções criminosas como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho, além das milícias. No Senado, o requerimento foi protocolado nesta quinta-feira (6) pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Já na Câmara, um pedido foi apresentado por Kim Kataguiri (União-SP). No requerimento de Kim, o foco são as reuniões de supostos integrantes das facções com representantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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A proposta mais avançada é a de Alessandro Vieira, no Senado. Segundo ele, o requerimento já tem as 27 assinaturas necessárias e conta com o apoio do novo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). No pedido, Vieira fala sobre a necessidade de investigar as causas do aumento do poder das facções e de estudar os casos dos estados que conseguiram conter o problema, como Santa Catarina.

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Dentre as 27 assinaturas coletadas por Vieira, predominam nomes de oposição — caso de Sérgio Moro (União-PR), Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ). “Se está diante de um preocupante estado de coisas, o qual torna imprescindível a atuação investigativa do Poder Legislativo, através de CPI especialmente constituída para tanto, como forma de oferecer ao país soluções legislativas”, diz um trecho do requerimento.

O pedido de Kim Kataguiri tem como objeto a possível influência do PCC e do Comando Vermelho nas políticas públicas para o setor carcerário. No pedido, o deputado federal cita a participação de dirigentes da ONG Pacto Social e as reuniões de Luciane Barbosa Farias, a Dama do Tráfico, em duas pastas do governo. No fim de janeiro, os líderes da Pacto Social foram denunciados pelo MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo), sob a acusação de integrar o PCC e de atuar de acordo com as ordens da facção.

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“A participação dessas ONGs [como a Pacto Social] na formulação do Plano Pena Justa [determinado pelo Supremo Tribunal Federal] levanta suspeitas graves, que merecem ser investigadas. Temos cada vez mais indícios da complexidade e do tamanho do crime organizado no nosso país. E esse nível de infiltração dele na política institucional pode significar que estamos indo por um caminho sem volta. Acredito que teremos facilidade em coletar as 171 assinaturas necessárias [para a CPI]”, diz Kataguiri. O deputado, que integra o MBL (Movimento Brasil Livre), pretende começar a coleta de assinaturas na segunda-feira.

“A crise na segurança pública é provavelmente o maior problema nacional, com impactos negativos em todos os aspectos da vida dos brasileiros, mas há muito tempo o debate fica restrito a trocas de farpas entre adeptos do populismo penal (bandido bom é bandido morto) e da abordagem exclusivamente sociológica (pomba branca e passeata pela paz)”, diz Alessandro Vieira.

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“Por que alguns estados apresentam bons números históricos, como Santa Catarina, ou conseguiram reduções expressivas nos indicadores de violência, como Sergipe, enquanto outros seguem em uma situação trágica, a exemplo do Rio de Janeiro e do Amapá? É uma pauta urgente do Brasil e precisa fugir da armadilha paralisante da polarização”, argumenta o senador.

Relembre os casos

A mulher de um líder do Comando Vermelho no Amazonas participou de reuniões com dirigentes dos ministérios da Justiça e dos Direitos Humanos no governo Lula. Ex-estudante de direito, Luciane Barbosa Farias é casada com Clemilson Farias, o Tio Patinhas, ex-líder do Comando Vermelho no Amazonas.

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Ela se reuniu com o então titular da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) do Ministério da Justiça, Rafael Velasco Brandani, levada pela advogada criminalista Janira Rocha. Janira recebeu pagamentos de cerca de R$ 23 mil de um integrante do Comando Vermelho dias antes de uma das reuniões.

Na semana passada, a Justiça Federal decretou a prisão de Luciane Barbosa Farias pelos crimes de associação para o tráfico formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Ela se encontra foragida até o momento.

Além de Luciane Barbosa Farias, se reuniram com dirigentes dos ministérios da Justiça e dos Direitos Humanos os representantes da ONG Pacto Social & Carcerário de S.P.

Em meados de janeiro, a ONG foi alvo da operação Fake Scream, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do MP-SP. A investigação começou em 2021, quando policiais interceptaram um informe sobre as atividades da ONG destinado a presos do PCC.

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