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Cúpula da PM aprovou retardar chegada de extremistas do 8/1 à PF, diz mulher de coronel preso

Mariana Naime defendeu o marido após número dois do Ministério da Justiça dizer que policial interceptou ônibus com manifestantes

Brasília|Edis Henrique Peres, do R7, em Brasília

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Coronel Jorge Eduardo Naime, ex-chefe da PMDF
Coronel Jorge Eduardo Naime, ex-chefe da PMDF Waldemir Barreto/Agência Senado - 26/6/2023

A mulher do coronel Jorge Eduardo Naime, Mariana Naime, rebateu o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ricardo Cappelli, e disse que o ex-comandante de Operações da Polícia Militar do Distrito Federal não tomou “sozinho” a decisão de ordenar que os ônibus com os extremistas presos no 8 de Janeiro parassem no meio do caminho em direção à sede da Polícia Federal em Brasília.

A afirmação de Mariana foi feita nas redes sociais, em resposta a uma publicação do secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ricardo Cappelli. Segundo a mulher do coronel Naime, ao chegarem à superintendência, os ônibus “não encontraram estrutura física” para receber as milhares de pessoas que vinham dos quartéis-generais do Exército.


“Por isso, foram levados à Academia da Polícia Federal, onde acomodaria, com mínima dignidade humana, milhares de pessoas, idosos e crianças. O Naime não tomou essa decisão sozinho, ele tratou com seus superiores hierárquicos e também estava acompanhado de vários delegados da Polícia Federal, com os quais adequou toda a logística para a chegada ao local definido”, disse Mariana.

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Ela acrescentou que “ninguém fugiu” e que todos chegaram em segurança. “Além de especialista em segurança pública, [Naime] é um policial militar com mais de 30 anos de serviço prestado à sociedade do DF com amplo reconhecimento por seu trabalho sério e eficiente de décadas”, acrescentou.


Entenda

Mariana se posicionou após Ricardo Cappelli escrever, nas redes sociais na manhã desta terça-feira (9), que o coronel havia dado a ordem para que os ônibus ‘parassem no meio do caminho” em direção à sede da PF em Brasília.

"O coronel Jorge Naime havia mandado os ônibus pararem no meio do caminho. Meu enfrentamento com ele foi um dos momentos emblemáticos", disse Cappelli nas redes sociais.

Cappelli acrescentou que ainda há muitos detalhes não revelados sobre a noite de 8 de janeiro de 2023 “e aqueles difíceis dias da primeira semana”.

Susposta omissão

Naime está detido desde 7 de fevereiro no 19º Batalhão da Polícia Militar, localizado no Complexo da Papuda, por suposta omissão no episódio dos atos antidemocráticos do 8 de Janeiro. O coronel era o responsável pelo planejamento das operações quando manifestantes invadiram e depredaram o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Nos depoimentos prestados à CPI da Câmara Legislativa do DF e à CPMI, o coronel afirmou que a corporação não recebeu dados da gravidade das manifestações na Praça dos Três Poderes.

Segundo ele, às 10h de 8 de janeiro de 2023, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) tinha informações detalhadas sobre as manifestações, mas que "as providências não foram tomadas".

"Ou as agências de informação não passaram isso para o secretário nem para o comando geral, ou passaram e eles ficaram inertes, não tomaram providências, porque eles tiveram cinco horas para tomar providência a partir do momento em que receberam a informação", afirmou aos deputados.

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