JR ENTREVISTA: ministro da CGU critica tarifaço e detalha economia de R$ 5 bilhões
Vinicius Carvalho detalhou o ressarcimento de 5 milhões de segurados do INSS e as auditorias em ‘emendas Pix’
JR Entrevista|Do R7, em Brasília
O convidado do JR ENTREVISTA desta quarta-feira (22) é o ministro da CGU (Controladoria-Geral da União), Vinicius Carvalho. Ao jornalista Clébio Cavagnolle, ele falou sobre as recentes tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, classificando a medida como “hipocrisia” e fruto de uma decisão política sem embasamento técnico.
Carvalho rebateu críticas americanas ao sistema Pix, definindo-o como uma “inovação pública” que promoveu a bancarização e a formalização econômica, e não uma prática de concorrência desleal.
Sobre o combate à corrupção no Brasil, o ministro utilizou uma analogia médica para explicar que a detecção de irregularidades é sinal de um sistema de controle ativo. Ele destacou que a utilização da ferramenta de inteligência artificial “Alice” permitiu uma economia de R$ 5 bilhões aos cofres públicos por meio de auditorias focadas em contratos com possíveis problemas.
“O que nós estamos fazendo é comprar os equipamentos, é trabalhar com os equipamentos... que são as investigações, que são as apurações”, afirmou, comparando a CGU a um sistema de diagnóstico que identifica doenças para poder tratá-las.
Combate a fraudes no INSS
O ministro abordou o escândalo de descontos indevidos contra aposentados e pensionistas do INSS, um esquema que operava desde 2017 e que, segundo ele, não foi interrompido anteriormente por falhas de fiscalização.
Carvalho ressaltou que a atual gestão conseguiu não apenas interromper a fraude, mas ressarcir quase 5 milhões de cidadãos. No setor bancário, confirmou que a CGU mantém investigações abertas contra servidores do Banco Central envolvidos em irregularidades, reforçando que, se culpados, serão expulsos do serviço público.
Transparência
A transparência no uso de recursos públicos foi um tema central, especialmente no que diz respeito às emendas parlamentares. O ministro revelou que auditorias da CGU em “emendas PIX” identificaram falhas como superfaturamento e recursos parados em caixas municipais sem a devida prestação de contas.
Para Carvalho, embora as emendas sejam legítimas, o mecanismo precisa de aperfeiçoamento constante. “Dinheiro do povo precisa ir para onde o povo espera que ele vá, para onde o povo precisa desse recurso.”
Carvalho detalhou a atuação da CGU na investigação de agentes públicos envolvidos na tentativa de golpe de Estado e em fraudes em cartões de vacinação, após o compartilhamento de provas pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
Ele enfatizou que os processos administrativos buscam punir quem utilizou a função pública para fins ilícitos. “A gente precisa transformar as investigações sobre corrupção em algo que, embora possa ter contato com o mundo político, essas investigações não sejam politizadas”, defendeu.
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