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Agro concentra 40% dos recursos do primeiro Brasil Soberano, com foco em alimentos e comércio

Relatório do BNDES mostra que os recursos foram usados principalmente para reforçar o capital de giro em 2025

Brasília|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O Plano Brasil Soberano destinou R$ 7,7 bilhões ao agronegócio, focando na fabricação de alimentos, agricultura, pecuária e produtos de madeira.
  • O programa aprovou R$ 19,6 bilhões em financiamentos, com 40% destinados a quatro segmentos principais, incluindo a fabricação de produtos alimentícios.
  • O crédito visou reforçar o capital de giro e diversificar mercados de exportação, em resposta ao aumento das tarifas dos EUA.
  • O programa impactou 1.386 operações e beneficiou empresas de todos os tamanhos, com destaque para micro, pequenas e médias empresas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Crédito ao agro reforçou caixa, exportações e adaptação da produção Fernando Frazão/Agência Brasil- 31.10.2025

As atividades ligadas ao agronegócio concentraram cerca de R$ 7,7 bilhões em financiamentos aprovados no âmbito do Plano Brasil Soberano em 2025. Do total de R$ 19,584 bilhões disponíveis no programa, 40% dos recursos foram voltados para a fabricação de alimentos, agricultura e pecuária, produtos de madeira e à cadeia de couro e calçados.

Segundo relatório de execução do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento), o maior volume de recursos foi destinado à fabricação de produtos alimentícios, responsável por R$ 4,159 bilhões em operações aprovadas. Sozinha, a atividade concentrou cerca de 21% do valor total financiado.


Em seguida aparecem o comércio atacadista — segmento que inclui tradings e representantes comerciais ligados às exportações —, com R$ 1,987 bilhão; a fabricação de produtos de madeira, com R$ 1,854 bilhão; e a agricultura, pecuária e serviços relacionados, que receberam R$ 917 milhões.

Segundo o documento, o crédito foi usado principalmente para reforçar o capital de giro, diversificar mercados de exportação e financiar investimentos na adaptação da produção diante do aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos.


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Como o dinheiro foi utilizado

Mais de 30 atividades econômicas foram contempladas pelas linhas de crédito do programa. O financiamento foi destinado para:

  • Capital de giro emergencial;
  • Capital de giro destinado à diversificação das exportações;
  • Aquisição de máquinas e equipamentos;
  • Investimentos voltados à adaptação da atividade produtiva;
  • Fortalecimento das cadeias produtivas;
  • Inovação tecnológica e adaptação de produtos, serviços e processos para ampliar mercados.

O relatório mostra que a maior parte dos recursos foi destinada justamente às linhas de capital de giro das empresas.


Do total aprovado, R$ 10,028 bilhões foram direcionados para operações de Giro Emergencial, enquanto R$ 9,023 bilhões financiaram operações de Giro Diversificação. Apenas R$ 348 milhões foram destinados à aquisição de bens de capital e investimentos produtivos.

No caso da modalidade Giro Diversificação, as empresas assumiram o compromisso de direcionar exportações para mercados diferentes dos Estados Unidos, reduzindo a dependência do mercado norte-americano diante do aumento das tarifas.


Além disso, os contratos firmados pelo programa preveem cláusulas de manutenção ou ampliação do nível de emprego nas empresas beneficiadas.

O programa atendeu empresas de todos os portes. As micro, pequenas e médias empresas responderam por 982 operações, no valor de R$ 6,275 bilhões, enquanto as grandes empresas concentraram R$ 13,309 bilhões, distribuídos em 404 operações.

Reação aos impactos do tarifaço

O Plano Brasil Soberano foi criado após a edição da Medida Provisória nº 1.309, de agosto de 2025, que autorizou a utilização de recursos do Fundo de Garantia à Exportação (FGE) para financiar empresas exportadoras atingidas pelo aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos.

Segundo o relatório, um estudo realizado pelo próprio BNDES estimou que o tarifaço poderia provocar redução de R$ 46 bilhões nas exportações brasileiras, além de um impacto indireto de R$ 47,4 bilhões na cadeia de fornecedores. No total, o efeito econômico poderia alcançar R$ 93,4 bilhões, colocando cerca de 340 mil empregos em risco.

Ainda de acordo com o banco, os estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste foram os mais afetados pelas barreiras comerciais, especialmente os produtores de madeira, móveis, couro, calçados, máquinas e equipamentos, motivo pelo qual concentraram grande parte das operações de crédito.

Novo Brasil Soberano

O balanço das fases anteriores foi apresentado junto à nova edição do programa.

O governo federal anunciou na quarta-feira (22) o lançamento do Plano Brasil Soberano III, que prevê R$ 18,5 bilhões em novas linhas de crédito para empresas afetadas pelas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, além de setores considerados estratégicos para a economia brasileira. O pacote foi apresentado durante cerimônia no Palácio do Planalto, na qual também foi sancionada a lei que transforma em definitivo as medidas do Brasil Soberano II.

Do total de recursos previstos, R$ 13,5 bilhões virão do Tesouro Nacional, por meio da realocação de recursos não utilizados em linhas anteriores, e R$ 5 bilhões serão aportados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Os recursos serão operados pelo banco de fomento.

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