Crítica de Flávio Bolsonaro às urnas eletrônicas vira alvo do PT e adversários
Acusações de Flávio já foram desmentidas pelo TSE; comportamento foi associado ao do pai, Jair Bolsonaro, nas eleições de 2022
2026|Amanda Garcia, do R7, em Brasília
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As declarações do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sobre as urnas eletrônicas, dadas em um encontro com diplomatas, passaram a ser exploradas politicamente pelo PT, partido do presidente Lula, e também fora da legenda.
Nesta quarta-feira (22), um dia após Flávio associar a origem das urnas eletrônicas brasileiras à Venezuela e insinuar que houve fraude no país vizinho, o PT acionou o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra o senador. Na representação, o partido argumentou que o pré-candidato promoveu um “movimento articulado de desinformação contra a integridade do sistema eletrônico de votação brasileiro e a credibilidade da Justiça Eleitoral”.
Em nota, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que Flávio “prova que tem a mesma cultura golpista do pai” ao questionar o sistema eleitoral brasileiro perante representantes estrangeiros.
Segundo Edinho, a estratégia repete a utilizada por Jair Bolsonaro antes das eleições de 2022, posteriormente considerada pelo TSE no julgamento que tornou o ex-presidente inelegível.
O secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, também criticou a postura do senador. Segundo ele, a tentativa de apresentar Flávio como um candidato moderado “era uma estratégia fadada ao fracasso”.
Nas redes sociais, a deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) afirmou que a fala do senador repete os ataques feitos pelo ex-presidente ao sistema eleitoral e classificou como falsa a associação entre as urnas brasileiras e uma empresa venezuelana.
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) também comparou a reunião promovida por Flávio com o encontro realizado por Jair Bolsonaro com embaixadores em 2022. O parlamentar afirmou que o senador estaria repetindo um roteiro semelhante ao do pai ao levantar dúvidas sobre o sistema eleitoral antes da disputa presidencial.
Críticas de presidenciáveis
As críticas vieram também de fora do PT. O governador de Goiás e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (União Brasil), ironizou o ato de Flávio. Segundo Caiado, em vez de usar o encontro com diplomatas para discutir comércio exterior, investimentos e abertura de mercados, o senador “escolheu” tratar das urnas eletrônicas.
Já o pré-candidato à Presidência Renan Santos (Missão) questionou a estratégia de Flávio. “Qual a imagem que a gente passa para o mundo? O candidato que ainda está em segundo colocado nas pesquisas falando que a urna não funciona”, disse.
Renan questionou por que Flávio insiste nesse tipo de discurso e sugeriu que o senador estaria prejudicando a própria candidatura ao se antecipar a uma possível derrota.
Falas rebatidas pelo TSE
Na terça-feira (21), durante um encontro com 42 diplomatas, Flávio afirmou que as urnas eletrônicas brasileiras têm a mesma origem das urnas da empresa venezuelana Smartmatic e citou um suposto relatório da CIA sobre fraude eleitoral na Venezuela.
As falas, no entanto, contrariam esclarecimentos já divulgados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
A Corte afirmou que as urnas eletrônicas brasileiras não são fornecidas pela Smartmatic e que o software utilizado no sistema eleitoral é desenvolvido e administrado exclusivamente pela Justiça Eleitoral.
Segundo o TSE, esse é o mesmo entendimento apresentado em 2022, quando Jair Bolsonaro (PL) contestou a confiabilidade das urnas brasileiras e defendeu o voto impresso.
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Estratégia de campanha
As declarações de Flávio ocorrem em um momento de mudança na estratégia de comunicação da pré-campanha.
Depois de passar meses adotando uma imagem mais moderada e buscando ampliar o diálogo com o eleitorado de centro, o senador voltou a incorporar temas e discursos que marcaram a trajetória política de seu pai, Jair Bolsonaro.
A avaliação de integrantes da campanha é que a aproximação com as principais bandeiras do bolsonarismo fortalece a identificação com o eleitor mais fiel ao ex-presidente e ajuda a consolidar esse segmento na disputa presidencial.
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