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Depois da Jordânia e Palestina, Mauro Vieira se reúne com autoridades do Líbano nesta terça

Na viagem pelo Oriente Médio, o ministro das Relações Exteriores não passará por Israel, onde Lula foi declarado 'persona non grata'

Brasília|Do R7, em Brasília*

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Vieira vai a Israel, onde Lula é 'persona non grata'
Vieira vai a Israel, onde Lula é 'persona non grata' Khalil Bayadi/Itamaraty - 17.03.2024

Depois de cumprir agenda na Jordânia e na Palestina, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, tem compromissos no Líbano, nesta terça-feira (19). Na viagem pelo Oriente Médio, que vai incluir ainda a Arábia Saudita, o ministro não vai passar por Israel, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi declarado 'persona non grata'.

Nesta terça, Vieira vai se reunir com o primeiro-ministro da República do Líbano, Najib Mikati, e fazer um encontro privado com o ministro dos Negócios Estrangeiros e Emigrantes da República do Líbano, Abdallah Bou Habib.


À tarde, depois de uma entrevista à imprensa, o ministro vai participar da inauguração da nova sede da Embaixada do Brasil em Beirute e se encontrar com o comandante das Forças Armadas da República do Líbano, Joseph Aoun; o comandante-chefe da Unifil (Força Interina das Nações Unidas no Líbano), Aroldo Lázaro Sáenz; e com a comunidade brasileira.

Ao longo desta semana, Vieira vai a Riade, na Arábia Saudita, onde vai se reunir com o chanceler no país.


O chanceler brasileiro iniciou a viagem com duras críticas ao governo de Benjamin Netanyahu. "Permitam-me expressar a solidariedade do governo e do povo brasileiro com o povo palestino, especialmente, em Gaza, pelas inaceitáveis perdas da população civil e pela destruição. Deixe-me dizer isso em alto e bom som. É ilegal e imoral privar as pessoas de comida e água. É ilegal e imoral atacar comboios humanitários e pessoas que procuram ajuda. É ilegal e imoral impedir que doentes e feridos tenham acesso a suprimentos médicos essenciais. É ilegal e imoral destruir hospitais, locais religiosos e sagrados, cemitérios e abrigos", disse.

A declaração do chanceler foi dada durante cerimônia realizada pela Fundação Yasser Arafat, em Ramala, capital da Autoridade Palestina. Vieira representou Lula, que recebeu uma homenagem como membro honorário do Conselho dos Curadores do grupo.


"Usar a fome e a sede como armas de guerra equivalem a um castigo coletivo. Este é o momento em que a população palestina mais necessita do valioso trabalho da Agência das Nações Unidas para Refugiados da Palestina", argumentou o ministro.

Vieira destacou que o Brasil apoia a "paz duradoura" para o Oriente Médio, com dois estados – Palestina e Israel – convivendo lado a lado, em paz e segurança, dentro de fronteiras mutualmente acordadas e reconhecidas internacionalmente. "É hora de se chegar a uma solução política justa e duradoura para este conflito prolongado. O povo palestiniano esperou muito tempo pela realização da sua justa aspiração à criação de um Estado", defendeu o chanceler brasileiro.


Ramala foi a primeira parada de Vieira no Oriente Médio, em uma viagem de cinco dias. O ministro se encontrou no último domingo (17) com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e com o chanceler palestiniano, Riyad al-Maliki, para tratar do conflito.

"As relações do Brasil com os países do Oriente Médio são marcadas, de forma muito positiva, pela presença, em nosso país, de expressiva comunidade de origem árabe, o que contribui para a fluidez e amizade que tradicionalmente caracterizam o diálogo do Brasil com aquela região", diz o Itamaraty, acrescentando que Vieira vai passar pelos principais pontos da agenda bilateral, sobretudo, em temas como cooperação técnica, comércio e investimentos.

Sem passar por Israel

O chanceler brasileiro chegou em Ramala procedente de Amã, na Jordânia. Vieira voou direto para a capital jordaniana para não desembarcar em Israel, que declarou Lula como "persona non grata" em reação à declaração do petista comparando ações israelenses ao extermínio de judeus.

Como mostrou o R7, o brasileiro tem dito aos seus interlocutores que a frase foi proposital e a ideia era encorajar outros chefes de Estado a se posicionarem diante da guerra e que não está arrependido. O episódio abriu uma crise diplomática entre os dois países. Até o momento, não houve um pedido de desculpas.

Conflito

No caso de Gaza, Lula tem condenado os ataques terroristas promovidos pelo Hamas, mas classifica o governo de Benjamin Netanyahu como genocida, uma vez que mulheres e crianças têm sido assassinadas.

O presidente de Israel, Isaac Herzog, condenou a declaração do presidente do Brasil. Herzog disse que há uma "distorção imoral da história" e apela "a todos os líderes mundiais para que se juntem a mim na condenação inequívoca de tais ações".

Entidades e organizações também criticaram a declaração de Lula. A Conib (Confederação Israelita do Brasil) repudiou a fala e classificou a afirmação como "distorção perversa da realidade que ofende a memória das vítimas do Holocausto e de seus descendentes".

"Cada vez que o presidente Lula viaja ao exterior, traz estragos e prejuízos em termos de política externa. E são episódios tristes para os brasileiros, que compõem tradicionalmente um povo pacífico, aberto e amigo com as demais nações. No caso de Israel, os gestos parecem fechar as portas aos israelenses e desrespeitam os judeus que em solo brasileiro estão. É uma tremenda ofensa", avalia a professora de direito da Universidade de São Paulo (USP) Maristela Basso.

Pedido de impeachment

A declaração de Lula é a base de um novo pedido de impeachment contra o presidente. O processo sustenta que houve comprometimento da neutralidade do Brasil após as críticas.

Com autoria de 134 parlamentares, o texto cita os elogios e agradecimentos feitos pelo grupo terrorista Hamas ao governo brasileiro e diz que "nem mesmo nações que pregam a extinção do Estado de Israel foram capazes de proferir tamanha atrocidade".

*Com informações da Agência Brasil

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