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Doleira Nelma Kodama vai retornar ao Brasil e se apresentar à Justiça, diz defesa

Delatora da Operação Lava Jato foi presa em Lisboa, em Portugal, sob suspeita de atuar no tráfico internacional de drogas

Brasília|Plínio Aguiar, do R7, em Brasília


Nelma Kodama, presa pela PF em Portugal
Nelma Kodama, presa pela PF em Portugal

Presa na cidade de Lisboa, em Portugal, sob suspeita de atuar no tráfico internacional de drogas, a doleira e delatora da Operação Lava Jato Nelma Kodama deve retornar ao Brasil nesta quarta-feira (19) e se apresentar à Justiça, informou sua defesa.

De acordo com a defesa da doleira, ela renunciou à continuidade do processo de defesa contra a extradição, com o objetivo de se apresentar e colaborar com a Justiça brasileira.

"Esse é um passo importante para a apuração e esclarecimento dos fatos", diz o advogado Santiago Andre Schunck. "Dessa forma, ficará mais fácil comprovar que ela não tem ligação com o tráfico internacional de drogas", completa.

Nelma foi presa no dia 19 de abril deste ano em um hotel em Lisboa, capital de Portugal, durante uma operação da Polícia Federal. Na época, a defesa informou que ela havia ficado surpresa com a prisão.

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"O advogado Nelson Wilians, que representa Nelma Kodama, informa que sua cliente ficou surpresa com a prisão decorrente da operação policial em um hotel de Lisboa, em Portugal. O advogado diz que confia na Justiça e espera, em breve, ter acesso aos autos para entender a motivação da prisão da empresária e se manifestar perante as autoridades competentes", informou a defesa, em nota.

Ao todo, a corporação cumpriu 43 mandados de busca e apreensão e sete mandados de prisão preventiva nos estados da Bahia, São Paulo, Mato Grosso, Rondônia e Pernambuco. Em Portugal, a polícia portuguesa cumpriu três mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão preventiva nas cidades do Porto e Braga.

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De acordo com a instituição, as investigações tiveram início em fevereiro de 2021, quando um jato executivo Dassault Falcon 900, pertencente a uma empresa portuguesa de táxi aéreo, pousou no aeroporto internacional de Salvador para abastecimento. A inspeção da aeronave levou à descoberta de cerca de 595 kg de cocaína escondidos na fuselagem.

A partir da apreensão, a Polícia Federal conseguiu identificar a estrutura da organização criminosa atuante nos dois países, composta de fornecedores de cocaína, mecânicos de aviação e auxiliares (responsáveis pela abertura da fuselagem da aeronave para acondicionar o entorpecente), transportadores (responsáveis pelo voo) e doleiros (responsáveis pela movimentação financeira do grupo).

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Quem é Nelma Kodama

Figura emblemática do escândalo da Petrobras, Nelma é ex-namorada do doleiro Alberto Youssef e foi presa em 15 de março de 2014 quando tentava embarcar para a Itália com 200 mil euros escondidos na calcinha.

No mesmo ano, ela chegou a ser condenada a 18 anos de prisão pelo então juiz federal Sergio Moro pela lavagem de R$ 221 milhões em dois anos e pelo envio ao exterior de outros U$S 5,2 milhões por meio de 91 operações de câmbio irregulares.

Ela chegou a ficar dois anos presa, mas fechou acordo de delação premiada com a Operação Lava Jato e deixou a carceragem da Polícia Federal em Curitiba com uma tornozeleira eletrônica em junho de 2016.

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