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Em entrevista, Lula diz que quer ‘polícia especial’ contra crime organizado

Presidente também defendeu o fim do fundo eleitoral para que a ‘promiscuidade política’ chegue ao fim

Brasília|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Lula propõe criar uma "polícia especial" para combater o crime organizado nas comunidades.
  • Se reeleito, Lula planeja estabelecer o Ministério da Segurança Pública, atualmente sob o Ministério da Justiça.
  • O presidente critica a violência policial e sugere a asfixia financeira como estratégia contra o crime, considerado uma "indústria multinacional".
  • Lula discorda da classificação de facções criminosas brasileiras como "terroristas" pelos EUA, diferenciando o terrorismo de Estado do terrorismo comunitário.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

LULA
Lula criticou ações violentas da polícia em comunidades e defendeu 'asfixia financeira' Ricardo Stuckert/Flickr @lulaoficial - 26.09.2026

O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que quer criar uma “polícia especial” para agir contra o crime organizado nas comunidades. Ele também reforçou que, se for reeleito, seu governo vai criar um ministério exclusivo para tratar do tema segurança pública. Hoje, o assunto está sob alçada do Ministério da Justiça.

“O terrorismo na comunidade, nós vamos acabar. Aprovou a emenda constitucional; no dia seguinte, está criado o Ministério da Segurança Pública, com a definição de uma polícia especial que eu quero criar, uma Força Nacional capaz de fazer intervenção em qualquer situação”, afirmou o presidente em entrevista ao programa Canal Livre.

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Na avaliação do petista, intervenções federais com uso das Forças Armadas não trouxeram o resultado esperado. “Quando levava o Exército para lá para fazer intervenção, os bandidos saíam. Quando o exército saía, os bandidos voltavam. Essa Força Nacional é boa, mas não é suficiente. Nós precisamos de uma Força Nacional preparada para ser Força Nacional, com soldados preparados”, explicou.

O presidente criticou ações violentas da polícia em comunidades e disse que a melhor estratégia para enfrentar o crime é por meio da asfixia financeira, porque o crime “virou uma indústria multinacional” que está na “justiça, na polícia, no futebol, na política, no empresariado”.

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“É muito fácil ir lá e matar, como foi feito agora no Rio de Janeiro, no (Massacre do) Carandiru (em 1992, em São Paulo). O governador até pega popularidade naquela semana, mas aquilo não dá resultado. O que dá resultado é dar garantias às pessoas. A polícia vai ocupar de forma ordenada, mas, mais do que ocupar, é preciso que o Estado tenha presença com políticas públicas em cada comunidade”, destacou o petista.

Lula também explicou por que é crítico à classificação das facções criminosas brasileiras como “terroristas” pelo governo dos Estados Unidos. “Quando eu não concordo que o PCC, o Comando Vermelho, sejam terroristas, é o terrorismo do (presidente dos EUA, Donald) Trump. O terrorismo do Trump é o terrorismo de Estado. É o terrorismo do cara que quer derrubar o governo. O nosso terrorismo aqui é para a comunidade, (...) que não deixa a sociedade viver livremente”, afirmou.

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Críticas ao fundo eleitoral

Na entrevista, Lula também defendeu a extinção do Fundo Eleitoral, o FEFC (Fundo Especial de Financiamento de Campanha), para que a “promiscuidade política” chegue ao fim.

Lula pregou ainda uma grande reforma política. Ele ligou o fim da polarização no Brasil a uma alteração significativa nas normas do sistema partidário e no financiamento das campanhas.

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“Vai mudar quando a gente fizer uma reforma política neste país, que precisa ser feita para criar partido sério, partido que tenha manifesto, partido que tenha compromisso com a sociedade, partido que tenha bandeira, partido que tenha programa e partido que tenha um comportamento ético”, afirmou o presidente da República.

Lula disse que provocar alterações nas leis do sistema político alcança de modo direto os interesses dos congressistas e das siglas, o que torna difícil a aprovação de modificações estruturais.

“Quando se trata da reforma política, você está mexendo com o interesse pessoal de cada deputado, de cada partido político. Não é possível a gente continuar com a promiscuidade política do jeito que está”, afirmou Lula. “Não é possível a gente continuar com o Congresso Nacional com 50% do orçamento da União”, acredita.

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