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Último debate entre Lula e Flávio é marcado por propostas e troca de farpas

Encontro entre os candidatos nesta sexta-feira (23) trouxe temas como programas sociais, dívida pública, inflação e polêmicas pessoais

2026|Bruna Pauxis, do R7, em Brasília

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Flávio Bolsonaro e Lula participam de último debate antes do segundo turno Agustin Marcarian/Reuters - 23.10.2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participaram, nesta sexta-feira (23), do último debate entre os candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026. O encontro marcou o segundo embate direto entre os dois presidenciáveis e foi caracterizado por frequentes trocas de acusações em meio a propostas de governo.

O liberal baseou sua fala em questões de segurança e economia, com foco na inflação, endividamento e custo de vida no Brasil. Lula, por sua vez, destacou os feitos em seu governo e a construção de programas sociais.

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Bolsa Família e programas sociais

Durante o debate, Lula questionou o senador sobre uma declaração anterior na qual ele teria se referido ao programa Bolsa Família como “bolsa-farelo”. Flávio optou por não comentar a crítica direta, mas garantiu, mais adiante em sua fala, que manterá os pagamentos do benefício mesmo para famílias que conseguirem inserção no mercado de trabalho.

Questão indígena e meio ambiente

Ao abordar a região Norte, Flávio Bolsonaro prometeu ampliar investimentos nos estados e dar maior autonomia aos povos indígenas. Lula rebateu a fala citando o histórico ambiental da gestão anterior e mencionou a declaração do ex-ministro Ricardo Salles em abril de 2020 sobre “passar a boiada”, momento em que defendeu a flexibilização de regras ambientais enquanto as atenções da imprensa estavam voltadas para a pandemia.

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Poder de compra e salário mínimo

Em meio ao tema econômico, Flávio acusou o governo de elevar o endividamento das famílias brasileiras e questionou quando foi a última vez que o presidente pisou em um supermercado para checar a inflação dos alimentos.

Lula defendeu a política de valorização do salário mínimo implementada em suas gestões e nas da ex-presidente Dilma Rousseff:

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“O salário mínimo seria de R$ 900 se dependesse do seu pai [Jair Bolsonaro] e de Michel Temer”, afirmou Lula.

Lula questionou se o adversário manteria os aumentos reais (acima da inflação). Flávio confirmou que sim: “Vou reajustar o salário mínimo acima da inflação para combater sua fake news. Não vou fazer economia em cima dos mais pobres”.

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Investimentos em infraestrutura

A pauta de infraestrutura gerou embates sobre obras paralisadas no país. Flávio citou dados atribuídos ao Tribunal de Contas da União sobre empreendimentos paralisados e questionou a capacidade do governo de gerir novos investimentos. O senador defendeu a conclusão da ferrovia Transnordestina, a ampliação de concessões rodoviárias e a isenção de pedágio para motociclistas.

Em resposta, Lula afirmou que o Executivo já está executando as obras citadas e ironizou o preparo do oponente:

“O adversário parece aqueles alunos que se preparam para fazer o vestibular: eles conseguem decorar, mas não conseguem aprender”.

SUS

Um dos temas previstos no debate era o SUS (Sistema Único de Saúde). Ao adentrar o assunto, Lula questionou Flávio sobre manutenção do sistema e criticou a atuação do governo Bolsonaro na pandemia de Covid-19.

O senador rebateu o presidente, defendendo que serão mantidos os investimentos no programa de saúde e garantiu atualizar tabelas de pagamentos, ampliar o Inca (Instituto Nacional de Câncer) e renegociar dívidas das santas casas.

Flavio também criticou gargalos do SUS, dizendo que falta “até dipirona”.

Licença-maternidade

Assim como no último debate, Lula questionou seu adversário sobre o porquê de ter votado contra a ampliação da licença-maternidade quando era deputado estadual no Rio de Janeiro e acusou o liberal de mudar de posicionamento por conveniência eleitoral.

Em resposta, Flávio afirmou ter se arrependido do voto passado. Lula rebateu: “Teve a chance de votar para aumentar o auxílio-maternidade e não votou. Agora, como candidato, vem dizer que vai votar. Não votou quando podia”.

Lulinha e Tigrinho

Ao tratar do tema de bets, Flávio acusou Lula de ter liberado os cassinos online no país. O liberal, fez, ainda, um paralelo com o filho do presidente, alegando que o petista teria dois filhos que fizeram muito mal ao país: o Lulinha e o Tigrinho.

“Ele é o pai do Tigrinho, ele é o pai do cassino online. Ele criou, ele liberou. Aí, chegando perto da eleição, ele vai e cancela, achando que vai enganar você”, declarou Flávio. O senador disse ainda que a proibição das bets prejudicou os clubes de futebol e afirmou que Lula cortou recursos do ensino integral".

Em resposta, Lula atribuiu o surgimento do Tigrinho ao governo de Jair Bolsonaro e chamou o ex-presidente de “pai do Tigrinho”, caracterizando Flávio como “irmão” do personagem associado a apostas. “Você é irmão, filho do mesmo DNA.”

‘Nove dedos’

Durante o bloco de debates sobre o reajuste do salário mínimo, Flávio Bolsonaro declarou que “não adianta” pagar R$ 1.600 “se você dá com uma mão e tira com nove dedos”, em menção pejorativa à condição física de Lula.

Na volta do intervalo do segundo bloco, o presidente exigiu retratação:

“Ele disse uma grande asneira e eu não vou levar para casa. Ele me chamou de ‘nove dedos’, mas se tem alguém que conhece o mundo do trabalho, sou eu. Não vou permitir que um miliciano me chame assim. Ele nunca trabalhou na vida, não sabe o que é uma carteira profissional. Vai ter que pedir desculpa. Milhões de trabalhadores se acidentam”, afirmou Lula.

Caso Ana Clara

Ao abordar o caso de Ana Clara — criança de 5 anos morta durante uma operação policial em uma comunidade —, Flávio Bolsonaro cometeu um equívoco ao se dirigir à mãe da vítima, Cristiane Gomes da Silva (presente na plateia), chamando-a pelo nome da filha falecida.

“Ana Clara, quero falar para a senhora: minha solidariedade. Foi uma tragédia. Eu tenho filhas e não consigo imaginar essa dor. Era uma troca de tiros em uma comunidade conflagrada, e quero ajudar a senhora a saber quem foi o autor do disparo, pois tenho confiança de que não foi aquele policial”, disse Flávio.

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