Embaixada dos EUA explica efeitos da classificação de PCC e CV como terroristas
Nota foi publicada dias após a decisão do governo Trump de equiparar as facções criminosas a organizações terroristas
Brasília|Débora Sobreira*, do R7, em Brasília
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A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil publicou um guia explicando o impacto da classificação das facções PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas internacionais. O governo americano anunciou a decisão contra os dois grupos criminosos na última semana.
Na imagem divulgada nas redes sociais, a Embaixada afirma que os EUA estão “mobilizando recursos, aplicando sanções e trabalhando com parceiros internacionais para proteger comunidades, restaurar a estabilidade e apoiar o Estado de Direito, tanto nos EUA quanto em países de todo o hemisfério”.
A publicação divide quatro eixos de atuação contra as organizações tidas como terroristas pelos EUA. Segundo o órgão, a prioridade máxima é a segurança e a proteção da população americana.
Uma das estratégias é o congelamento de ativos e a interrupção financeira de líderes de cartéis e empresas afiliadas, aplicada por autoridades do país desde 2025. Neste caso, o foco é impedir operações de lavagem de dinheiro e ocultação de fundos.
Outra frente de atuação é por meio do indiciamento de acusados de fornecer ou tentar fornecer apoio material às organizações criminosas, sendo passível a proposição de penas de regime fechado.
Por fim, também são realizadas ações de deportação e recusa de entrada ao país através da negação de um visto ou da revogação de um já existente, caso o suspeito esteja envolvido com um grupo criminoso enquadrado como terrorista.
O anúncio foi feito nesta semana pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, que passou a enquadrar as duas facções como “Terroristas Globais Especialmente Designados” e “Organizações Terroristas Estrangeiras”.
Segundo o governo americano, os grupos figuram entre as organizações criminosas mais violentas da América Latina e possuem capacidade de impactar os interesses dos Estados Unidos.
“O governo Trump continuará usando toda ferramenta disponível para proteger os interesses de nossa segurança nacional e impedir que lucro e recursos cheguem a narcoterroristas”, disse Rubio.
Brasil vai ser invadido?
A decisão dos Estados Unidos não autoriza automaticamente uma operação militar em território brasileiro, mas amplia o arsenal jurídico e político de Washington para aplicar sanções financeiras, perseguir apoiadores das facções no exterior e aumentar a pressão diplomática sobre o Brasil.
Especialistas ouvidos pelo R7 afirmam que a medida tem potencial para atingir o patrimônio internacional dos grupos criminosos, mas também pode abrir espaço para disputas sobre soberania e interferência estrangeira.
“A decisão não autoriza automaticamente uma operação militar no Brasil. Qualquer ação em solo nacional dependeria do consentimento do Estado brasileiro ou geraria uma grave crise jurídica e diplomática. No entanto, os últimos acontecimentos na geopolítica mundial deixam um alerta”, disse o cientista político Gustavo Javier Castro.
*Estagiária do R7, sob supervisão de Augusto Fernandes, editor-chefe.
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