Falta de investimento, prevenção e filas: os desafios que o próximo presidente enfrentará na saúde
No Brasil, 35% da população considera o tema como um dos mais preocupantes, atrás apenas de crime e corrupção
Brasília|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília
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À medida que as eleições se aproximam, a questão da saúde pública assume protagonismo entre as estratégias dos candidatos. Especialistas ouvidos pelo R7 defendem que o fortalecimento da atenção primária e o aprimoramento do prontuário eletrônico nacional sejam uma das questões prioritárias para fortalecer o sistema de saúde do país.
No Brasil, 35% da população considera o tema como um dos mais preocupantes, atrás apenas de crime e corrupção, segundo pesquisa do Instituto Ipsos divulgada em julho deste ano.
Outro estudo da mesma empresa aponta que 57% dos brasileiros consideram a qualidade da saúde “nem boa nem ruim”. Em 2018, a média de brasileiros que consideravam a saúde “boa” ou “muito boa” era de 18%. Em 2025, esse índice subiu para 34%.

Entre os principais problemas percebidos no sistema de saúde brasileiro, estão os longos tempos de espera, falta de investimento e falta de investimento em saúde preventiva.
A especialista em relações institucionais e saúde Tacyra Valois explica que um plano de governo mais detalhado para a saúde não garante melhor execução das propostas para o setor, assim como a ausência de informações não comprova falta de intenção política da candidatura.
Para ela, a possibilidade de as propostas darem certo depende de condições como responsabilidade definida, financiamento compatível, sequência de implementação, capacidade de profissionais e infraestrutura e mecanismos de acompanhamento.
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“As propostas mais expostas ao risco são aquelas que anunciam grande escala ou resultados ambiciosos sem explicitar adequadamente custos, critérios de implantação, cronograma, responsabilidades federativas e capacidade territorial. No Brasil, uma solução pode funcionar em determinado estado ou município e encontrar obstáculos quando projetada para todo o país sem considerar as diferentes condições para implementação”, disse.
Nesse sentido, Valois e o especialista em Gestão Pública, internacionalista e Coordenador de Políticas Públicas do Livres, Rafael Moredo, entendem que o maior desafio não está em identificar os problemas e criar uma lista de programas, mas sim em fazer o sistema funcionar como uma rede coordenada.
Para eles, os esforços devem ser concentrados na prioridade clínica e filas com transparência, onde não haja fragmentação de dados entre unidades de saúde, que atrasa diagnósticos e gera desperdício.
Espera em filas
Entre janeiro e junho de 2024, 1.793 pessoas que aguardavam na fila para um transplante de órgão morreram no país, segundo a ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgão), que usa dados do Ministério da Saúde. Do total de 22.986 pacientes que ingressaram na lista no período, as mortes notificadas representam 7,8%. Não necessariamente os registros estão relacionados com a doença que levou o paciente à lista, informou a associação.
Pacientes que aguardavam por um rim, fígado e coração foram os que registraram maiores índices de mortalidade, com 1.210, 383 e 90 mortes, respectivamente. No caso do coração e rim, por exemplo, o tempo de espera médio para transplantes é de oito e 22 meses, respectivamente.
Candidatos à Presidência
Apesar de divergirem, os cinco principais candidatos à Presidência nas eleições de 2026 — Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Renan Santos — reconhecem problemas semelhantes na saúde do Brasil.
Filas, dificuldade de acesso a especialistas, desigualdades regionais, necessidade de fortalecer a atenção primária, distribuição inadequada dos profissionais e uso ainda insuficiente da tecnologia são alguns dos pontos citados pelos presidenciáveis.
Na análise de Moredo, a diferença entre os planos de governo está no grau de amadurecimento, ainda que nenhum candidato tenha debatido até o momento a questão do financiamento sustentável, que, segundo os especialistas, “seria a base de qualquer uma dessas promessas”.
No cenário do Brasil, em que cada região possui suas particularidades, é importante que cada candidato considere as diferentes condições para implementação da proposta.
“Como eleitores, precisamos exigir planos mais profissionais: com prioridades, custos, responsabilidades, etapas, metas e indicadores. O voto não deveria encerrar a relação do cidadão com o programa apresentado. O plano precisa servir de referência para acompanhar orçamento, decisões, entregas e resultados ao longo do mandato”, pontua Valois.
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