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Hospitais privados podem renegociar dívidas em troca de serviços para o SUS; entenda

Programa do governo pretende reduzir em 30% as filas da rede pública com convênios com entidades privadas

Brasília|Do R7, em Brasília

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Hospitais particulares poderão ofertar procedimentos pelo SUS Fernando Frazão/Agência Brasil - Arquivo

O governo federal lançou nesta sexta-feira (30) o programa Agora Tem Especialistas, voltado à ampliação da estrutura de atendimento do SUS (Sistema Único de Saúde) visando diminuir filas. A iniciativa concentra esforços em seis áreas: oncologia, ginecologia, cardiologia, ortopedia, oftalmologia e otorrinolaringologia.

Com o pacote, o Ministério da Saúde estima uma redução de 30% nas filas de policlínicas, UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), ambulatórios e centros cirúrgicos em todo o país.

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Para atingir essa meta, a pasta pretende firmar convênios com entidades públicas e instituições filantrópicas, ampliando a oferta de serviços.

O planejamento foi encaminhado por meio de medida provisória, com validade imediata. Para se transformar em lei, dependerá de aprovação do Congresso Nacional em um prazo de 30 dias.

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Compensação de dívidas como incentivo

O convênio entre o SUS e as instituições participantes funcionará como um sistema de compensação: os hospitais prestarão serviços e, em troca, receberão créditos da União. Esses créditos poderão ser usados para reduzir débitos pendentes.

Segundo o ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, a proposta permite reduzir a dívida principal em 30% e os juros e multas em 70%. Os procedimentos ofertados serão intermediados pelo SUS, mas realizados diretamente nas unidades conveniadas.

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O orçamento anual para o programa prevê R$ 4,4 bilhões destinados exclusivamente a esses convênios. Segundo Padilha, esse valor não representa gasto adicional, pois será abatido de créditos que a União já considera de difícil recuperação.

“São valores que o governo provavelmente não conseguiria receber. Caso entrassem nos cofres públicos, seriam dificilmente destinados à saúde”, afirmou o ministro.

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Padilha também reforçou que instituições com contratos vigentes junto a estados e municípios não poderão transferi-los para o novo modelo. A proposta aceitará apenas ofertas inéditas.

Como será o processo de adesão

O Ministério da Saúde abrirá um processo para que hospitais interessados possam apresentar propostas. A adesão dependerá da publicação de uma portaria específica pelo Ministério da Fazenda, prevista para junho. As contratações devem começar em agosto.

Hospitais filantrópicos e privados sem dívidas também poderão participar. Nesse caso, os créditos poderão ser utilizados para abater tributos federais futuros.

Para os planos de saúde com pendências relacionadas ao ressarcimento ao SUS, o governo prepara uma portaria conjunta com a Advocacia-Geral da União. A legislação sobre ressarcimento não se enquadra na alçada do Ministério da Fazenda.

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