Master contratou escritório de mulher de Moraes para consultoria ‘estratégica’ em inquéritos da PF
Documentos, divulgados após parte da quebra de sigilo, previam um pagamento de R$ 131 milhões aos advogados
Brasília|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília


Os contratos de prestação de serviços jurídicos firmados entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci, mulher do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, citam, entre os serviços, uma consultoria estratégica e jurídica em inquéritos policiais nas Polícias Federal e Civis e procedimentos administrativos no Banco Central, Receita Federal e CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
Os documentos, divulgados após parte da quebra de sigilo das investigações do Master, previam um pagamento de R$ 131 milhões aos advogados. O valor poderia ser dividido em 36 vezes e era equivalente ao valor bruto mensal de R$ 3.646.529,77, prevendo 17,73% de tributos.
Além disso, o acordo entre o Master e o escritório estabelecia a realização da organização e coordenação de 5 núcleos de atuação, entre eles o Judiciário, Ministério Público, Polícia Judiciária, Executivo e Legislativo.
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Os contratos são os mesmos que Moraes supostamente alterou. De acordo com os registros digitais e metadados obtidos no sistema Office 365, o arquivo da negociação foi modificado no dia 15 de janeiro de 2024, às 23h04. O perfil responsável pela alteração digital aparecia identificado explicitamente como “Ministro Alexandre de Moraes”.
Ainda segundo os documentos, entre as outras atividades contratadas estão a interação, identificação da política, rotina e apresentação das demonstrações contábeis; (h) identificação dos controles internos.
Atuação questionada
Com a repercussão do caso, a OAB-DF (Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal) determinou a abertura de um processo ético-disciplinar contra os sócios do escritório de Viviane Barci.
A decisão, tomada pelo presidente da seccional, Paulo Maurício Siqueira, durante sessão extraordinária do Conselho Pleno da instituição, ocorre em meio à crise institucional no Supremo e à divulgação de documentos que mostram que o ministro teria alterado o contrato feito entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o escritório de Barci.
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