8 de janeiro: Moraes valida acordo e suspende ação contra deputado mineiro
Medida prevê serviços comunitários, pagamento de indenização e curso sobre democracia para que processo seja arquivado
Brasília|Do Estadão Conteúdo
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O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes homologou acordo de não persecução penal firmado entre a PGR (Procuradoria-Geral da República) e o deputado estadual Sargento Rodrigues (PL-MG). O parlamentar foi denunciado por sua participação nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.
Com a validação do acordo, a ação penal em curso contra o parlamentar fica suspensa enquanto ele cumpre as condições estabelecidas. O caso pode ser arquivado ao final do período previsto, caso todas as exigências sejam atendidas.
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Segundo relatório do STF, mais de 550 entre os cerca de 1.400 réus responsabilizados pelo episódio firmaram acordos de não persecução penal, encerrando os casos mediante confissão dos investigados e cumprimento alternativo de penas.
Para aderir ao acordo, Rodrigues reconheceu a prática dos delitos apontados pela acusação: incitação à animosidade das Forças Armadas contra os Poderes constituídos, ataques à integridade do sistema eleitoral e associação criminosa.
A denúncia da PGR, recebida pela Primeira Turma do STF em dezembro do ano passado, sustenta que o deputado participou de uma “atuação coordenada para desacreditar o processo eleitoral por meio das redes sociais e incentivar uma intervenção militar”.
Ao homologar o acordo, Moraes afirmou que, apesar da gravidade das acusações, o instrumento jurídico era cabível no caso. “Em que pese a gravidade dos crimes imputados ao réu, uma vez que a Constituição Federal não permite a propagação de ideias contrárias à ordem constitucional e ao Estado Democrático, com a consequente instalação do arbítrio, cabível o oferecimento do ANPP”, escreveu o ministro.
Serviços à comunidade
Entre as obrigações assumidas pelo parlamentar estão a prestação de 150 horas de serviços à comunidade ou a órgãos públicos, com carga mínima de 30 horas por mês, e o pagamento de R$ 5.000 a título de indenização — valor que será destinado à entidade indicada pelo juízo responsável pela execução do acordo.
O deputado também concordou em não utilizar redes sociais abertas enquanto durar o cumprimento das medidas, frequentar presencialmente um curso de 12 horas sobre democracia, Estado de Direito e golpe de Estado, além de se comprometer a não praticar novos crimes nem responder a outras ações penais durante o período.
Como funciona o acordo
Previsto no Código de Processo Penal desde 2019, o acordo de não persecução penal evita o processo judicial tradicional ao garantir que o réu não será criminalmente condenado se cumprir as condições legais estabelecidas. A possibilidade se aplica em determinadas situações envolvendo crimes sem violência e com pena mínima inferior a quatro anos.
Após os atos de 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília, a PGR ofereceu o acordo em casos envolvendo pessoas acusadas de incentivar ou apoiar os acontecimentos, mas sem participação direta nos atos de vandalismo.
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