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MPF pede à Justiça que governo crie política para 'Covid longa'

Ministério da Saúde não tem diretrizes para atender pacientes que continuam com sintomas da doença depois de recuperados

Brasília|Augusto Fernandes, do R7, em Brasília

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Sede do Ministério da Saúde, em Brasília (DF)
Sede do Ministério da Saúde, em Brasília (DF)

O MPF (Ministério Público Federal) enviou uma ação civil pública à Justiça Federal pedindo que o governo seja obrigado a implementar, em até 30 dias, uma política de assistência sanitária à população brasileira que continua com sintomas característicos da Covid-19 mesmo depois de recuperada da doença, o que vem sendo definido por pesquisadores como “Covid longa”.

Além disso, o MPF pede que o Executivo federal faça uma busca ativa ou rastreamento e mapeamento dos pacientes vítimas das sequelas decorrentes do agravamento da enfermidade. De acordo com os procuradores, a formulação de políticas de saúde específicas para esse público é dever constitucional da União.

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“A União, por meio do Ministério da Saúde, tem o dever de formular políticas de saúde destinadas a prover as condições indispensáveis ao pleno exercício do direito à saúde para os sobreviventes da Covid-19”, afirma o MPF.

“Essa população necessita ser conhecida pela União, para que possa receber atendimento multidisciplinar específico, eis que um mesmo paciente pode apresentar sintomas tão diversos como anosmia, arritmia, dispneia, mialgia e estresse pós-traumático (tudo em razão da Covid-19), o que demanda acompanhamento de médicos de múltiplas especialidades, de psicólogos e de fisioterapeutas, por exemplo”, acrescenta a instituição.

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O MPF acusa o governo federal de ter sido o responsável pelos danos aos pacientes e lembra que, desde o início da pandemia no Brasil, a Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) “quedou-se inerte, não tendo produzido até o final de novembro de 2021 sequer um documento com protocolo para atendimento ambulatorial de pacientes de Covid-19, tampouco diretrizes de acompanhamento, atendimento e tratamento dos agravos e sequelas decorrentes da doença”.

Governo quer usar programas já existentes

Em entrevista ao R7, no início de dezembro, a secretária extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 do Ministério da Saúde, Rosana Leite de Melo, disse que a intenção do governo federal é utilizar programas já existentes, estimulando os CERs (Centros Especializados em Reabilitação) para lidar com os casos de Covid longa.

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"Não tem que diferenciar. Esse paciente está com complicação, mas não transmite a doença. Ele pode ser atendido com os outros", detalhou. Ela ainda comentou que a pasta não vê necessidade de se implementar uma política específica para acompanhar pacientes com condições pós-Covid.

"Quando começou o debate, achávamos que deveria ter uma (política) específica. Mas foi se mostrando que não. O que é melhor, começar algo do zero ou incentivar o que você já tem, usando esses casos de sucessos para multiplicar? É muito melhor a gente fazer isso, porque as complicações pós-Covid são as mesmas de outas doenças, não é nada novo", justificou.

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