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'Não vejo motivo para deixar a Comissão de Constituição e Justiça', diz Daniel Silveira

Indicação do deputado à CCJ após ser condenado no Supremo Tribunal Federal gerou questionamentos na Casa

Brasília|Sarah Teófilo, do R7, em Brasília

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Deputado Daniel Silveira (PTB-RJ)
Deputado Daniel Silveira (PTB-RJ)

O deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ) disse nesta segunda-feira (2) ao R7 não ver motivo para deixar a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara. O deputado foi indicado e é hoje titular da comissão, que é a principal da Casa. A sua presença tem gerado insatisfação, conforme apurado pela reportagem, não só em partidos de oposição, mas também de centro, como o PP, legenda do presidente da Casa, Arthur Lira (AL).

"Não vejo motivo para deixar a CCJ ou o porquê de haver cenas e matérias defendendo isso", disse, ao ser questionado sobre informações de que ele poderia deixar a comissão. A reportagem apurou que a visão dos parlamentares do Centrão, compartilhada apenas em conversas privadas, é a de que a permanência de Silveira soa como uma provocação ao STF e que não havia necessidade de deixar o clima ainda mais acirrado.

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O deputado foi indicado à comissão dias depois de ter sido condenado pelo STF a oito anos e nove meses de prisão, em regime inicial fechado, perda do mandato e multa pelos crimes de coação no curso do processo e de ameaça ao Estado democrático de Direito. O entendimento de lideranças é que a ação de indicá-lo à CCJ é um erro político e acaba desgastando o Parlamento. Os deputados de centro evitam falar abertamente sobre suas posições para evitar perseguição nas redes sociais e desgastes junto ao eleitorado.

Por outro lado, há diversos parlamentares que avaliam que enquanto Daniel Silveira for deputado ele tem direito de atuar como qualquer parlamentar. Além disso, afirmam que é prerrogativa do líder do partido indicar os membros da comissão, algo previsto no regimento interno da Casa. "Não existe 'meio' deputado", disse um parlamentar do União Brasil. 

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Há um movimento nos bastidores para que Daniel deixe a posição na CCJ, ainda que fique nas outras quatro comissões para as quais foi indicado, incluindo a da Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, em que foi eleito como vice-presidente. Dois parlamentares de oposição disseram à reportagem que Lira deve se reunir com a liderança do PTB, e o próprio Silveira, ainda nesta semana para discutir a situação.

Lira tem defendido, assim como o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que é prerrogativa do Congresso cassar o mandato de um parlamentar, e não do Judiciário. O presidente da Câmara já havia enviado formalmente o pedido de que seja reconhecido que a cassação de mandato cabe aos parlamentares, mas ainda não houve resposta. Apesar da posição firme pela defesa do mandato, Lira tem buscado diálogo para reduzir a tensão entre os Poderes.

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Reunião sobre permanência

Nesta terça-feira (3) vai haver a primeira reunião da CCJ após a instalação da comissão e eleição do presidente, Arthur Maia (União-BA). O PSOL vai apresentar uma questão de ordem apontando elementos que comprovariam a inconstitucionalidade da permanência de Silveira na CCJ. O partido, junto com a oposição, também estuda uma ação judicial para tirá-lo do colegiado. Para isso, busca também legendas de centro, como MDB e PSDB.

Líder do PTB, Paulo Bengtson (PA) defendeu, na última sexta-feira (29), ao R7, a permanência de Silveira na CCJ. "Não existe nenhuma pressão da Casa para a retirada do mesmo. Obviamente, isso causou frustração de alguns que queriam estar no cargo dele, mas ele responde a todas as prerrogativas que permitem ocupar a posição", afirmou.

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À reportagem, ele negou que a indicação seja uma afronta ao Supremo. "O momento talvez possa parecer, mas não é", defendeu. O regimento interno da Câmara prevê que é prerrogativa do líder partidário "indicar à mesa os membros da bancada para compor as comissões e, a qualquer tempo, substituí-los".

A indicação de membros de cada comissão cabe exclusivamente ao líder de cada partido, conforme regimento interno da Casa. No caso, foi o líder do PTB que indicou Silveira à CCJ, e apenas ele pode substituí-lo.

A definição do partido que fica com a presidência das comissões ocorre por meio de discussão e acordo entre as lideranças e o presidente da Casa. A CCJ é a comissão mais importante da Câmara, pela qual as matérias precisam passar para ter sua constitucionalidade avaliada. Ela também tem autonomia para aprovar projetos em caráter terminativo, sem a necessidade de passarem pelo plenário.

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