Logo R7.com
RecordPlus
R7 Brasília
‌

PGR pede ao STF ajuste em regra da Ficha Limpa que encurta inelegibilidade de condenados

Gonet diz que novas regras podem permitir retorno precoce de condenados à disputa eleitoral

Brasília|Do R7, em Brasília

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Brasília (DF) 10/09/2025 - O procurador-geral da República, Paulo Gonet, na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que realiza o quarto dia de julgamento dos réus do Núcleo 1 da trama golpista, formado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados.  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Manifestação da PGR foi assinada por Paulo Gonet Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil - 10.9.2025

A PGR (Procuradoria-Geral da República) sugeriu ao STF (Supremo Tribunal Federal) ajustes em trechos da nova Lei da Ficha Limpa, alterada pelo Congresso Nacional em 2025. Em parecer enviado à Corte, o procurador-geral Paulo Gonet aponta que algumas mudanças enfraquecem os mecanismos de proteção à moralidade e à probidade na disputa eleitoral.

A manifestação foi apresentada em um processo que analisa a validade da lei aprovada no parlamento que mudou as regras sobre tempo de inelegibilidade. Embora reconheça que o Congresso tem liberdade para definir prazos e sanções, a PGR sustenta que partes específicas do texto criam distorções incompatíveis com a Constituição.

‌

Segundo o parecer, o problema não está na lei como um todo, mas em dispositivos que podem permitir que condenados voltem a disputar eleições sem cumprir, de fato, o período de afastamento previsto para proteger o eleitorado.

Prazo de inelegibilidade pode perder efeito, diz PGR

Um dos principais pontos questionados envolve a contagem do prazo de oito anos de inelegibilidade para determinados crimes. A nova lei criou dois regimes diferentes.

‌

Para crimes mais graves, como os contra a administração pública e os praticados por organização criminosa, a regra permanece mais rígida: o prazo começa na condenação por um tribunal colegiado e só termina oito anos após o fim do cumprimento da pena. Para a PGR, esse modelo segue o padrão já validado pelo STF.

O problema, segundo o órgão, está no regime mais brando, aplicado a crimes eleitorais, de abuso de autoridade, contra o sistema financeiro e outros. Nesses casos, a lei prevê que a inelegibilidade dure apenas oito anos contados a partir da condenação colegiada, sem levar em conta o tempo de cumprimento da pena.

‌

leia mais

Na prática, isso pode permitir que todo o período de inelegibilidade transcorra enquanto o condenado ainda cumpre pena e está com os direitos políticos suspensos. Assim, ao deixar a prisão, a pessoa já estaria apta a se candidatar, esvaziando a chamada “quarentena” eleitoral.

Para evitar esse efeito, a PGR propõe uma interpretação conforme à Constituição: o prazo de inelegibilidade ficaria suspenso enquanto os direitos políticos estiverem suspensos por decisão criminal definitiva. Dessa forma, as duas restrições não seriam cumpridas ao mesmo tempo, e o período de afastamento eleitoral só começaria a contar após o retorno do condenado à vida civil.

‌

Unificação de prazos pode beneficiar condenações mais graves

Outro ponto criticado pela PGR diz respeito à unificação dos prazos de inelegibilidade em casos de fatos conexos.

Dois dispositivos da nova lei determinam que, quando há mais de uma condenação relacionada aos mesmos fatos, o prazo de inelegibilidade deve contar apenas a partir da primeira decisão colegiada, proibindo a aplicação de novas restrições, mesmo que surjam condenações posteriores mais graves.

Para a PGR, essa regra anula os efeitos de decisões judiciais posteriores e acaba tratando de forma igual situações desiguais. Um agente condenado uma única vez seria colocado no mesmo patamar de outro que acumulou várias condenações graves.

O parecer também alerta para um efeito considerado irracional: a gravidade da sanção eleitoral passaria a depender da ordem em que os processos são julgados. Um crime menos grave decidido primeiro poderia impedir a aplicação de uma inelegibilidade mais severa decorrente de uma condenação posterior por crime grave, apenas por causa do ritmo da tramitação judicial.

Diante disso, a PGR pede a suspensão imediata da vigência desses parágrafos. Segundo o órgão, manter essas regras cria uma espécie de “imunidade eleitoral” para condenações graves, enfraquecendo a proteção à moralidade e à probidade no exercício de mandatos eletivos.

Agora, caberá ao STF analisar os argumentos e decidir se mantém ou corrige os trechos questionados da nova Lei da Ficha Limpa. O processo é relatado pela ministra Cármen Lúcia.

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp

Siga R7 no Google e fique por dentro de tudo que acontece

Seguir no Google

Últimas

‌

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.